Voltar ao arquivo
Artigo
Município e administracção local

Não cremos que a crise passasse com a mudança do ministério. Dizia-se que o ministério progressista não adoptaria o tratado de Lourenço Marques, queremos dizer, não tomaria a responsabilidade d’aquelle grave erro, chamemos-lhe assim, do sr. Corvo, ou antes do ministério regenerador; mas não sabemos que maléfica influencia o fez mudar da opinião. É certo que fez seu aquelle tratado, fazendo-o votar pela sua maioria na camara dos deputados. E foi este o facto que mais escandalizou o paiz, foi o principal incentivo das manifestações, sendo sobretudo para estranhar que os que não podiam ou não deviam negar a paternidade d’aquella vergonha nacional se apresentassem gritando contra os históricos, por causa do tratado de Lourenço Marques. O ministério regenerador affirmou na camara que a decisão do contracto ia ser addiada, fez bem; mas é necessario que o povo não se deixe illudir e esteja de atalaia. Se o contracto era mau, se era uma vergonha nacional no ministério progressista, não é melhor, nem menos indecoroso no ministério regenerador. E o povo deve conservar a attitude que tomou, fazendo vêr ao governo que não quer, nem hade consentir, um contracto tão nocivo aos nossos interesses, como á nossa dignidade nacional. Quando o povo disser: não quero! Com a energia com que o deve dizer, o ministério hade comprehender o dever que tem de respeitar a vontade nacional. E se o não fizer, não faltam ao povo meios de lhe fazer comprehender que se não zomba impunemente com uma nação.