Oiçam! Oiçam! Não é uma folha desafecta á situação que vão fallar, senão a folha regeneradora, o orgão do partido do sr. Fontes na cidade invicta, o Jornal da manhã. «Entendiamos nós que convinha que o partido regenerador detivesse o mais possivel o impeto dos seus adversarios—que lhes creasse embaraços—que os atacasse nas camaras, na imprensa, nos comicios—por todos os meios constitucionaes, mas não para governarem este anno. Quizeram apressar-se, houve impaciencias: os acontecimentos foram forçados, e as consequencias vão apparecendo muito naturalmente. Creiam que a primeira necessidade do paiz era a de governo forte, e, diga-se tambem, duradoira, porque os males existentes não se cortam não havendo energia o tempo. Começou o governo por curvar-se diante das exigencias populares. Elle que as attendeu decerto que estava persuadido de que precisava do favor publico que pudesse estar dependente d’esta medida extraordinariamente grave. Tambem nós não gostavamos d’aquelle imposto, mas, a não haver necessidade de supporial-o em attenção ás circumstancias da fazenda, não teria deixado em pé a parte mais injusta e odiosa, e, a tomarmos a responsabilidade de uma suspensão menos constitucional, havia de ser para fazer justiça completa. Tinha, porem, a reflectir que o reconhecimento do poder das manifestações populares envolvia e difficultava outras questões que são da responsabilidade do partido. Não reflectiram convenientemente, e ahi vae para Londres o embaixador que tinha deixado o seu logar para tomar sobre as suas mãos a pasta dos negocios estrangeiros. Isto não é uma crise. Bem o sabemos. Mas é uma alteração, que não revela grande firmeza.»
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