Do Diario de Portugal transcrevemos a seguinte acta, que é extremamente honrosa para o nosso amigo o sr. general Antonio Joaquim da Fonseca, ex-governador da ilha do Principe. Folgámos em publicar tal documento. Ei-lo: Sessão extraordinaria do dia vinte e oito de fevereiro de mil oitocentos e oitenta e um. Presidencia do sr. João Lopes. Aos vinte e oito dias do mez de fevereiro de mil oitocentos e oitenta e um, n’esta cidade de Santo Antonio da ilha do Principe, nos paços do concelho e sala das sessões da camara municipal, presentes os srs. presidente João Lopes d’Andrade e os vereadores Raymundo José da Costa Sardinha, Bento José de Sousa, Thomé Francisco de Pinna e João Baptista da Silva, o senhor presidente declarou aberta a sessão eram onze horas do dia. Seguidamente concordaram todos os membros que se lançasse na acta a manifestação seguinte apresentada pelo senhor presidente: Acabando de entregar o governo d’esta ilha, e havendo de retirar-se hoje o seu benemerito ex-governador, o general Antonio Joaquim da Fonseca, esta camara, expressão authentica e fiel da vontade popular, commetteria uma omissão imperdoavel, se, n’este momento, deixasse de traduzir e pôr em relevo o sentimento que experimentam os seus habitantes por tão pungente e doloroso acontecimento, que a todos vem cobrir de luto e tristeza. Sua excellencia o sr. Fonseca deixa o seu nome glorioso e indelevelmente insculpido nos annaes da ilha do Principe; a sua memoria jamais se expungirá do animo dos seus habitantes, na consumpção fatidica dos tempos; o nome do excellentissimo sr. Fonseca, como homem particular e como funccionario publico, será sempre pronunciado entre nós e por todos com respeito, reconhecimento e saudade. É de facto, os relevantes serviços prestados por sua excellencia a esta ilha no decurso da sua activa e intelligente administração, o interesse e solicita dedicação que lhe mereceram os seus habitantes, derramando sobre todas as classes ainda as mais obscuras e desvalidas o auxilio e conforto da sua inexgotavel e desinteressada generosidade, tornam sua excellencia, sem duvida, credor da constante sympathia e imperecedouro reconhecimento dos habitantes da ilha do Principe. Compulsem-se os archivos e n’elles se depararão os documentos, que exuberantemente provam o muito que o excellentissimo sr. Fonseca fez em prol d’esta colonia, que, se no benefico periodo do seu governo não conseguiu debellar completamente a crise, que ha largos annos a assoberba e atrophia, não foi isto devido a falta sua de vontade e trabalho; o que é certo, porém, e com prazer registramos, é que sua excellencia deixa lançadas as bases para prosperar e tornar-se n’um futuro, não muito remoto, uma florescente colonia. Como homenagem, [ilegível].
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