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Portugal Contemporâneo · Correspondência · Igreja · Interpretacção incerta

Orçamento — enorme pão de que se tiram grandes fatias para uns e exiguas migalhas para outros. Sermo — passatempo agradavel e inoffensivo. A mulher e a gloria — divindades sublimes que de mãos dadas elevam os heroes ao eterno Pantheon da historia. Eleição — loteria nacional em que algumas vezes sae a sorte grande a quem menos a merece. Casamento clandestino — farça ridicula do amor. Parlamento — casa onde muito se palra e nada se faz. Belleza — propriedade muito rendosa mas muito depreciavel. Inveja — lepra incuravel. — Quaes são os animaes mais insupportaveis e atrevidos? Os tolos e... os cães pequenitos. Amor — paraíso dos que gosam e inferno dos que nada esperam. Hypocrizia — homenagem forçada do vicio á virtude. Programma eleitoral — carta de namoro que fica commummente sem resposta. Deputado — procurador que algumas vezes procura só para si. Melhoramentos publicos — isca para os eleitores. Visar — remedio agradavel para constipações. Em que se parece uma viuva velha e rica com um epitaphio? Em que só se lhe faz festa antes de entrar para a egreja. Casamento — acto solemne que começa pelo amor e acaba muitas vezes na indifferença ou na traição. Consciencia — contemporanea infeliz da nossa mãe Eva. Meu nobre amigo — verdade parlamentar. Portugal — embarcação que tem viajado muitas vezes sem piloto, e ainda não deu á costa. Piano — calamidade do seculo IX. Maçonaria — omnibus já sem rodas. Theatro — optimo logar para dormir ou conversar. Ministro demittido — noivado a quem ninguem visita.