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As noticias recebidas n’estes ultimos dias de Roma no que diz respeito aos manejos do ultramontanismo e ao accordo entre o Vaticano e a Allemanha, são muito importantes. Os reaccionarios não teem cessado em fazer o maior alarde possivel nos successos presenciados por occasião da trasladação dos restos mortaes de Pio IX, successo que elles de ante mão prepararam com o fim de promoverem graves desordens; por este facto tem chegado de todos os paizes milhares de assignaturas de adhesão ao pontifice; isto ao mesmo tempo por igual resolução foi adoptada por todos os principes destronados. Como é natural os reaccionarios mostram-se satisfeitos da sua obra porque, dizem elles, esperam poder assim predispor as cousas para uma nova lucta religiosa. O accordo entre o Vaticano e o governo allemão, projecto ao que se presume em vias de resolução, e para o que muito tem contribuido o partido moderado no sacro collegio—isto é, o partido conciliador—ao qual mais se inclina o papa, tem dado logar a varios boatos, a maior parte sem veracidade alguma, espalhados para fins bem conhecidos pelas folhas ultramontanas. Assim, pois, entre outros boatos correm que a Allemanha recommendára ao papa que não sahisse de Roma e que no caso de ameaça contasse com o seu auxilio. Imagine-se o partido que os ultramontanos teem podido tirar na Italia com este boato, principalmente nas povoações onde ainda impera o fanatismo. Com este boato e para produzir melhor effeito tem-se fallado muito da projectada alliança entre a Italia, a Allemanha e a Austria. Ora apesar d’esta noticia constituir um dos primeiros assumptos na imprensa a sua realisação é ainda posta em duvida, e, segundo o Times, a entrevista dos dois imperadores, na qual se trataria da projectada alliança, que é attribuida a uma subita resolução do Czar, não parece que possa ter a importancia politica que lhe querem dar. As noticias aliás curiosas e importantes que a respeito da questão de Tunes encontramos nas folhas de Paris obrigam-nos a consubstancial-as para elucidarmos os nossos leitores. Sabe-se que a revolução se propaga por uma fórma espantosa e que a guerra santa é pregada no centro de todas as povoações. Comquanto não se confirme a noticia relativa á disposição dos animos na Turquia em todo o caso vemos que a situação não parece ser muito lisongeira e tanto que os ultimos telegrammas fallam da probabilidade da juncção das forças francezas com as do bey para debellarem a revolução. O governo francez aprompta novas forças para o theatro das operações e é muito possivel que em face da sua energia os revoltosos abandonem o campo e deponham as armas. Do contrario d’esta questão poderá surgir gravissimas complicações. Nas folhas de Londres encontramos uma curiosa estatistica das perdas que a Inglaterra soffreu na guerra que sustentou no Afghanistan e no sul de Africa durante o periodo decorrido de 1875 a 1880. D’um outro assumpto igualmente importante somos obrigados a fallar—referimo-nos á questão ventilada entre a Hespanha e a França a proposito dos negocios de Saída. As folhas madrilenas insistem com o governo para que reclame da França a devida satisfação e indemnisação para as familias dos subditos hespanhoes assassinados em Saída; algumas folhas pedem encarecidamente o rompimento de relações e apresentam uma linguagem violenta e energica. O Imparcial avalia as perdas de Hespanha em oitocentas e nove mil pessetas. Falla-se em uma modificação ministerial em França e Hespanha, motivada pelas negociações pendentes entre as duas nações. No caso de se realisar, sairia do gabinete francez mr. Barthelemy Saint Hilaire, e do hespanhol o marquez de la Vega de Arruijo. O successor de mr. Barthelemy seria mr. Challemel Lacour, e ácerca das negociações que produzem a crise indigitada se entabolariam novas questões. Esta noticia deve porém ser tomada debaixo de toda a reserva. A questão ha as mais fundadas esperanças que será resolvida diplomaticamente e n’esta opinião está a maior parte da imprensa ministerial de Madrid.