Acontecimentos na Europa
As noticias do Oriente despertaram de novo a attenção da imprensa europeia. Em Constantinopla acaba de ser descoberta uma tentativa contra a vida do sultão. Eis o que por emquanto se sabe a tal respeito: um grego ottomano, de nome Tegivioglon, concebera o projecto de assassinar Abdul-Hamid, por meio de dynamite, durante a recente permanencia de sua magestade no palacio de Topespon. Preso o delinquente, encontraram-se-lhe dez cartuxos de dynamite e outros objectos suspeitos. Ignoram-se ainda quaes as razões que levaram Tegivioglon a attentar contra a vida do sultão Abdul-Hamid, mas, convem observar, ao mesmo tempo que o telegrapho nos transmittiu esta noticia fallava-nos da revolta dos coronéis no Egypto que provocou a crise ministerial e que levou o khediva a organisar novo gabinete que ficou assim composto: ministro da fazenda, Kadjar; da guerra, Mansuadbaroudi; e das obras publicas, Maroushy. Diz uma nota da folha official que Cheriff-pachá acceitou o encargo de formar o gabinete, cedendo aos pedidos do khediva, dos notaveis e dos representantes das potencias estrangeiras, e depois de se ter certificado da submissão completa do exercito, cuja direcção foi deixada ao seu patriota e ao seu quartel-mestre. A revolta do exercito no Cairo acha-se ao que parece terminada. O khediva teve de obedecer a uma revolta militar, talvez que a uma pavorosa, largamente premeditada nas trevas, que poderia ser o germen d’uma importante questão na qual mais tarde a Europa tivesse de intervir com a sua poderosa influencia.