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Paris · Europa · França · Rússia Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta

Os ultimos artigos publicados pelas folhas intransigentes de Paris a proposito da questão de Tunis, e que encerram uma accusaçâo gravissima contra os homens que actualmente estão dominando a politica franceza, constituem o principal assumpto nas discussões dos clubs politicos parisienses. Convém entretanto observar que o partido legitimista francez não teve a minima duvida em se associar ás diatribes levantadas pelos intransigentes contra os republicanos moderados. Feita esta explicação, que julgamos indispensavel para a devida intelligencia dos nossos leitores, vamos consubstanciar os trabalhos dos intransigentes, e para isso nos servimos da Republique Française e do L’Intransigeant. Os homens da extrema esquerda parlamentar dizem ter-se organisado em Paris um syndicato para especular com os fundos tunesinos; n’elle entraram muitos politicos influentes na situação, e entre esses o sr. Gambetta, bem como alguns banqueiros em boas relações com o governo. Este syndicato comprou as obrigações tunesinas a 225 francos; e depois intentou-se a expedição a Tunes e estabeleceu-se o protectorado sobre a regencia, para á sombra do credito da França subirem aquelles fundos e se realisar um lucro. São accusados de activa e criminosa intervenção n’este negocio o sr. Roustan, então consul e hoje ministro francez em Tunis, e o sr. Leon Renault. As accusações de que se trata apresentam todos os indicios de serem calumniosas. Os debates judiciaes porém esclarecerão o caso. Uma outra questão preocupa o espirito publico—fallamos ácerca dos trabalhos dos nihilistas na Russia e das medidas que o governo do Czar acaba de adoptar contra o movimento revolucionario. A este respeito o Daily News faz uma rigorosa analyse procurando demonstrar que o governo do Czar cousa alguma obterá com taes meios contra o espirito da revolução que hoje domina toda a Russia. Foi o Messager du Gouvernement que deu publicidade ao ukase imperial. O ukase investe o ministro do reino do poder de applicar medidas sob a sancção imperial e proclama o que se pode chamar o pequeno circo nos governos de S. Petersburgo, Moscou, Karkoff, Poltava, Tchernigoff, Kíeff, Volhyne, Bessarabia, e os districtos de Simpheropol, Eupatoria, Yalta, Therdosia, Peukuff, e a cidade de Berdiansk, assim como na cidade e districto de Voroneje, as cidades de Rostoff, de Meriopel (governo de Ekaterinoslaff) e emfim nas prefeituras de Odessa, de Tangarog e de Kertch. As auctoridades das localidades acima poderão impedir a residencia de quem quer que seja e fazer internar as pessoas suspeitas em outra das localidades indicadas, com prohibição de d’ahi sairem. A policia local, os principaes funccionarios e seus adjuntos teem o direito de prender e deter todas as pessoas suspeitas de crimes politicos, por 15 dias, e de praticar buscas em todas as casas particulares seja a que hora for. A Russia está ameaçada por um grande cataclysmo, hoje inevitavel, e só necessario para o triumpho da liberdade. O povo russo, sequioso d’um regimen democratico, hade saber prevalecer a sua vontade soberana acima do ficticio poder dos potentados. Conforme os leitores sabem os jesuitas foram ha tempo prohibidos de ensinar em toda a republica helvetica. Pois muito bem. Querem saber como elles respeitam as ordens do governo? Em Friburgo celebrou-se ultimamente uma festa religiosa em honra do beato Canisio. Os jesuitas aproveitaram este ensejo para se apossarem novamente de differentes egrejas e de diversas cadeiras de ensino. Houve protestos energicos da imprensa liberal e o conselho federal pediu ao governo local uma conta minuciosa do acontecido; este não deu explicações satisfactorias e aquelle conselho fez-lhe sentir que o seu procedimento no tocante á questão dos jesuitas não era legal e na communicação que lhe dirigiu termina pelas seguintes palavras: «Não podemos deixar de exprimir-vos o nosso pesar, não só com relação ao incidente em si mesmo, como a respeito da attitude d’esse governo, e devemos tomar as providencias que a situação reclama para que fique assegurado n’esse cantão o respeito devido ás disposições constitucionaes.» Convem ainda observar o seguinte: No mez de setembro findo appareceram jesuitas em alguns cantões da Suissa. O conselho federal censurou immediatamente o governo de Friburgo, que tolerara um padre jesuita no territorio do seu cantão e que até consentira que elle funccionasse em uma cerimonia publica contra o disposto no pacto federal. Diz a constituição suissa, no seu artigo 51: «A ordem dos jesuitas e as associações que d’ella dependem, não podem estabelecer-se no territorio suisso, nem os seus membros poderão exercer qualquer mister, tanto na egreja como do ensino.» Soube-se tambem que no cantão de Vaux um padre jesuita exercia funcções religiosas em Montreux. O conselho de estado de Vaux encarregou immediatamente o chefe da repartição de instrucção publica e dos cultos de proceder a um rigoroso inquerito. Provou-se que a noticia era exacta e que o padre jesuita de Weck parochiava em Montreux como coadjuctor do cura de Veck. O chefe da repartição dos cultos intimou immediatamente o cura de Veck para que não consentasse que o padre de Weck exercesse funcções religiosas. Como facil é de prever em resultado d’estes factos em alguns cantões da republica lavra a agitação religiosa, mas, segundo as ultimas noticias, o jesuitismo vae perdendo terreno.