Lisboa
10 de outubro de 1881. «Crê ou morres.» Era este o grito que os antigos guerreiros soltavam quando iam combater os infieis; era este o grito que os torpes inquisidores soltavam aos judeus; e é este o grito que a côrte realenga, pela bocca do Tigre, solta aos republicanos. «Crê ou morres» gritou o sr. Arrobas ao partido republicano, que era o mesmo que dizer: sede devassos, defendei ladrões; defendei as tratadas ruinosas para a patria; defendei todos os escandalos da Basorrada; defendei a orgia governamental e realenga; defendei todos os actos do governo pessoal que o rei haja por bem fazer; emfim sêde dos nossos, que tereis tudo o que quizerdes, ao contrario morrereis. Então o partido republicano respondeu-lhe:—Nós não acceitamos a vossa proposta, infames, conservar-nos-hemos sempre no nosso posto... O sr. Arrobas, em vista da resposta, começou a obra da destruição pelo Gomes Leal, depois foi-se ao Trinta, com velocidade de tigre, e comeu-o; depois virou-se para o Seculo e já lhe deu 15 dentadas; no Tempo 3; comeu o Republicano, o Radical, a Scintelha, a Marselheza, e deu uma dentada no Mandarim, outra na Vanguarda, outra na Democracia, outra no auctor do folheto Viva a republica; prendeu os oradores republicanos em Alcantara já ha tempo, prendeu agora os oradores do Club republicano portuguez, emfim tem posto Almada em estado de sitio e... quem sabe donde isto chegará. — Acaba de chegar de Hespanha o sr. D. Luiz; donde foi mostrar os seus ministros... creanças com o seu respectivo mestre. Deve-se notar um facto imparcialmente. Ha mezes um jornal hespanhol, para demonstrar, disse que constava que iam a um banquete a Badajoz alguns vultos mais eminentes do partido republicano portuguez. Foi o bastante para a imprensa louvaminheira, e subsidiada pelo paço, grittar que iam formar o pacto para a união iberica; e muitos mais disparates que só a estupidez podia conceber; agora vae o sr. D. Luiz divertir-se e a imprensa republicana conserva-se callada. Por hoje basta. Lacerda e Mello.