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Artigo

LISBOA 28

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Lisboa · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

9-81. Continua a lavrar o descontentamento nos arraiaes da baldomeria, as decidencias são manifestas, não só pelos basorras, senão por uma grande parte da imprensa regeneradora; o Jornal illustrado e o Santo Antonio, não se mostram muito satisfeitos com a situação, o Illustrado chegou mesmo a oscillar o ministerio sampadocio, hoje porém já não se mostra tão zangado porque o sr. Fontes o chamou á ordem... Falla-se em recomposição ministerial, e que o grande Bismark portuguez assumirá a presidencia, porém a difficuldade está em que o ministerio á altura «da gravidade das circumstancias», sendo composto á vontade do homem dos arranjos, não quer largar as pastas sem que tenha arranjado nicho para toda a parentella. O grande homem que não logrou o logar do presidente porque assim lhe fez arranjo para abiscoitar uma posta que não é de todo má, agora que já está arranjado quer, sem perda de tempo, arranjar a presidencia de ministros, depois de se ter arranjado na presidencia da camara dos pares, isto sem que se importe se os collegas estão arranjados e arranjaram os parentes, amigos e respectivos barbeiros! Visto que a situação é de arranjos é muito melhor que todos se arranjem!... A situação é de arranjos, e tanto é assim que o sr. Arrobas já arranjou 14 querellas ao jornal O Seculo! O conselho de districto para arranjar votos suspendeu a postura do peso fixo do pão, arranjando assim com que os padeiros roubem á sua vontade! O sr. commissario de policia tambem arranjou um meio efficaz de arranjar dinheiro para os escrivães e juizes e consta que pela sua actividade tambem arranjou na assadura! O processo tem tanto de simples como de odioso: ha uma reunião mesmo que seja particular, apparece logo o sr. commissario geral de policia acompanhado dos outros commissarios e com um regimento de policias atraz de si, os srs. commissarios entram na sala da sessão, com modos arrogantes e provocadores, sentam-se e conservam o chapéu na cabeça como se fosse em sua casa, o presidente continua dirigindo os trabalhos da sessão e os oradores seguem pela ordem da inscripção, findos os trabalhos o presidente levanta a sessão e o sr. commissario manda prender presidente e oradores que no dia seguinte pagam 7:000 reis de fiança na Boa-Hora e o meritissimo juiz manda-os na santa paz do senhor! Estes arranjos parecem impossiveis, na verdade; mas são factos que na proxima correspondencia hei de relatar para illucidação dos nossos leitores. —Falla-se na convocação de comicios para protestar contra as medidas cabralinas do governo dos arranjos, receia-se que hajam alguns desastres se as auctoridades que presidirem a estas reuniões continuarem com as prepotencias que teem seguido nos clubs republicanos; estes receios são fundados na manifesta indignação de que está possuida a maior parte do povo de Lisboa e Almada onde ultimamente se tem dado factos deploraveis. —O nosso collega o Suffragio Universal, suspendeu a sua publicação até novembro; o Universo Illustrado tambem suspendeu temporariamente, mas em compensação começou a publicar-se aqui O Noventa e Tres que é mais um valente e arrojado defensor das immunidades populares; felicitamos o seu redactor e proprietario o sr. Augusto de Figueiredo. É no domingo 9 do corrente o terceiro anniversario da fundação do nosso collega A voz do operario—orgão dos manipuladores de tabacos. Saudamos este atheleta que tão dignamente tem cumprido a honrosa missão de pugnar pela causa d’uma classe tão opprimida e vilipendiada pelo despotismo do capital. A voz do operario tem arrastado com o odio e o desprezo dos coutados argentarios. Apesar da sua humildade tem sabido conservar a coragem e a altivez dos que teem a consciencia que imperam para a grande obra da humanidade! Salvé, illustre collega! A’vante a vossa honrosa missão! M. Bruno.