LISBOA 28 de novembro de 1881. Parece que a manifestação patriotica que o partido republicano queria fazer no dia 1.º de dezembro, de que demos noticia na correspondencia passada, não passa de boato, ou mesmo quando a haja, é só em alguns centros, e não em geral. Pena é, que o partido republicano não faça essa manifestação, quando mais não fosse que só nos centros, porque era um bilhete decisivo, aos taes ibericos. O partido republicano é hoje, incontestavelmente, um dos partidos mais fortes, senão o mais forte, mas infelizmente, está sem organisação, sem disciplina. Se elle estivesse organisado, teriam forçosamente ganho as eleições de deputados em Lisboa, quando mais não fosse em quatro circulos; teria ganho as camararias, as da junta de parochia, e agora as de juiz de paz. Mas pela sua má organisação perdeu todas, e perderá até não estar organisado e disciplinado. Se algum dos homens, que pelo seu saber e trabalho tenham dado provas de poder organisar o partido, se põem á testa para o organisar, vêem logo uns certos rafeiros, que infelizmente tambem os ha no partido republicano, começar a morder-lhe na pelle, como vulgarmente se diz, o que faz com que se retirem á vida privada, ou quando então se recatem mais. Ha um certo antagonismo entre os chamados democratas e federaes, que não comprehendemos. Se os democratas levantam a cabeça, saltam-lhes os federaes em cima; se os federaes por sua vez se levantam, saltam-lhes os democratas; logo teem de se conservar sempre na penumbra. Se o partido republicano se deixasse d’estes antagonismos que o deshonram, e não illustrasse, era bom para o povo por dois motivos: 1.º porque emquanto opposição, os governos monarchicos teriam de andar mais direitos e fazer tantas patifarias, como desgraçadamente se estão vendo; 2.º porque iriam mais depressa ao poder, para acabar com estes abusos e delapidações. Mas assim o querem assim o tenham. — Suas magestades foram ao Porto. D’isso nada diremos; apenas notaremos o medo que os festeiros de S. Martinho tiveram, que obrigou a companhia dos caminhos de ferro, a mandar uma machina a explorar o caminho! Malditos nihilistas que já vieram para Portugal!!... — O Primeiro de Janeiro, n’uma lamuria muito grande dirigida a el-rei diz: «Somos partidarios convictos das instituições monarchicas; somos servidores dedicados da causa do povo» etc., etc.... Ora os leitores que se entretenham a decifrar este enygma. Nós, apenas notaremos, que a «causa do povo», no nosso fraco entendimento, é a Republica. — O sr. visconde de Rio Sado fica sendo vereador apesar de não estar recenseado, e ser juiz effectivo quando foi eleito. Moralidades. — No quartel do 2 de infantaria deu-se um caso lamentavel. Um tenente, allucinado não sabemos porque, deu dois tiros de revolver n’um capitão, matando-o quasi que instantaneamente. Por hoje nada mais. Lacerda e Mello.
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