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Aljustrel · Ervidel · Portugal Governo Civil · Interpretacção incerta

Ervidel, 29. Tinha resolvido não voltar á imprensa para tratar das cousas de Aljustrel, mas agora estou resolvido a não o fazer por uma pouca vergonha feita a minha sogra e que hade custar muito cara a quem foi a causa d’ella e a quem dá a sua protecção á gente que administra o municipio de Aljustrel. Em tempo devido encarregou minha sogra de lhe pagarem a derrama municipal e são testemunhas d’isso os srs. Julião Pereira e Jacintho Jordão: o recebedor declara que ella não tinha conhecimento na recebedoria, isto é, que não tinha derrama; mais tarde apparece o official de diligencias Manoel Alexandre a cital-a (o que nego e hei de proval-o) e tem de pagar de custas 1$730 reis!! Quem é que hade pagar estas custas, é minha sogra que não foi remissa ao pagamento da contribuição, ou o recebedor que tinha a cabeça n’outro logar? Isto é o que eu hei de resolver nas estações competentes, não pelo seu valor, mas pelo relaxamento em que está a administração deste concelho e que a maxima responsabilidade pesa sobre o sr. governador civil, por não fazer o que deve e tem obrigação de fazer. Eu não venho offender a pessoa do sr. Victor, de quem sou amigo ha tantos annos e a quem devo talvez favores; venho queixar-me ao governador civil que podia fazer entrar no verdadeiro caminho a administração deste municipio e não o faz. Queixo-me de ver o povo roubado; de ver ladrões a passear por essas ruas e s. ex.ª não lhes seguir os passos; queixo-me porque tendo na sua mão o processo da diligencia, não lhe dá o andamento que ella devia ter tido. Se o sr. governador civil quer saber de ladrões e de roubos o sr. [ilegível] da Silva que lh’o diga, que o dizel-o melhor do que eu. E paro por aqui, e no numero seguinte desenvolverei a historia melhor, na certeza porém que me não hei de prender com pastosas considerações. Isso é bom... e para quem o sr. Afonso sabe. E já que fallo no sr. Afonso, quando é que se conclue o cemitério dos Montes Velhos? Pois o sr. Afonso comprometteu-se nas ultimas eleições de deputados a gastar 600$000 reis no cemitério de Montes Velhos e deixa ficar agora a obra em meio! Então eu que vi os cães com as ossadas; que vi dois rateiros escovar a sepultura d’uma creança hei-de calar-me? Não posso; hade ser o que sou sempre pelo povo e contra tudo o que quer ser grande e elevado. O sr. Afonso pregou o cão aos eleitores de Montes Velhos e eu encarrego-me de saldar a divida. O sr. Pinheiro que o diga. Duarte Rousseau.