Bibliographia
Urgente Necesidad de una Cruzada para la liberacion del Sumo Pontifice.—E’ este o titulo d’uma obra que acabamos de receber e que temos sobre a banca do trabalho. E’ seu auctor o sr. D. José Maria Carulla, distincto advogado do collegio de Madrid e director do periodico La Civilizacion. O titulo do livro demonstra cabalmente o assumpto do que trata, e, com franqueza, n’esta epocha de luz, de progresso, de sciencia e de publicidade, é de bem que as opiniões se encontrem no vasto campo da imprensa onde ha logar para todos porque é do combate das intelligencias que se apura a verdade. E’ por isto que sem por forma alguma concordarmos com a opinião emittida pelo sr. D. José Maria Carulla lemos com interesse o seu trabalho. Nós que em politica somos republicanos, e em materia religiosa livres pensadores, nós que acima do erro, do absurdo, do contrasenso e dos vicios que minam todas as religiões, mui principalmente a catholica apostolica romana, collocamos a verdade e o positivo; nós que desejamos a sciencia acima da mentira, a luz acima das trevas e o livre exame e a completa liberdade acima da tyrannia e da oppressão, não podemos deixar em nome da tolerancia de reconhecer a qualquer o direito de expôr as suas opiniões embora sejam ultramontanas, porque é n’este direito — na livre expansão do pensamento — que assenta a verdadeira liberdade. No vasto campo da imprensa ha, repetimos, logar para todas e bem fez o illustre advogado do collegio de Madrid em vir expôr a sua opinião n’uma questão de tanta importancia como é a questão do papado. Mas convem observar, o direito da conquista pelo meio das bayonetas e dos canhões está de ha muito condemnado pela civilisação e pelo progresso, e apenas é admittido pelos déspotas coroados que em nome d’um falso poder escravisam o povo. Tentam organisar uma cruzada em favor d’um direito, que a civilisação condemnou, é predicar a anarchia — mais do que isso — é um pessimo serviço feito á egreja. A religião e a politica são dois principios distinctos e totalmente separados. Confundil-os é um erro. Ao chefe da religião romana compete um só poder — o espiritual — porque a egreja é para os fieis e não dominadora. A igreja não póde nem deve impôr a sua vontade á consciencia humana — e o poder temporal pisaria para o futuro da humanidade catholica a base d’uma par[ilegível], mas sim origem de serias e gravissimas perturbações, das quaes as consequencias seriam por certo fatalissimas aos interesses da egreja. Laboram por certo n’um erro os que pensam o contrario — a verdade que é eterna hade [ilegível] terreno a todas as intenções que se approximarem para lhe [ilegível]. Lisboa. Sebastião J. Baçam.