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Artigo

Serpa 22 de dezembro de 1881

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Beja · Serpa · Portugal Correspondência · Governo Civil

Sr. redactor.—Desejando tornar bem publica a violencia que se me fez, peço a v. a bondade de fazer inserir no seu acreditado periodico a seguinte carta: Ex.mo sr. governador civil de Beja. Um humilde e obscuro filho do povo tem a honra de se dirigir a v. ex.ª, não a reclamar justiça, que n’estes ominosos tempos a não ha para ninguem, mas para lhe protestar solemnemente, que foi illudido, enganado, e até escarnecido pelo seu administrador no concelho de Serpa, Antonio d’Oliveira Rocha. Tenho a consciencia de ter sido um fiel observador das obrigações inherentes ao meu cargo (ou emprego) de official de deligencias da administração d’este concelho de Serpa, posso o comprovar com todos os meus superiores e até mesmo com o proprio administrador—Antonio d’Oliveira Rocha, o que me promoveu a demissão, a quem intimo que declare publica e cathogoricamente o motivo da minha demissão. Será elle capaz de tudo fazer? Não o fará por certo, porque o motivo ficticio, ainda assim, mais o desacreditaria e a opinião publica seria unanime em declarar que, o demettido deveria ser o administrador—Antonio d’Oliveira Rocha. Ex.mo sr. governador civil, saiba v. ex.ª que n’esta villa de Serpa sou tido e considerado, não obstante minha pobreza, como um cidadão probo, honesto e honrado, tenho mulher e filhos, fui empregado zeloso e fiel e todavia fui demettido. Se os homens politicos, em Portugal, tivessem consciencia, estou bem seguro que v. ex.ª havia de amargurar-se com este brilhante acto de moralidade d’um seu administrador, mas infelizmente baixámos tanto que, a moralidade é um escarneo, a justiça uma irrisão, a honra palavra vã e a verdade uma ficção. Ex.mo sr. governador civil, heide narrar-lhe pela imprensa as amabilidades do seu administrador do concelho de Serpa—Antonio d’Oliveira Rocha. Desculpe v. ex.ª a phrase humilde d’um pobre filho do povo. Bartholomeu Baptista Galamba. (Segue-se o reconhecimento.)