Epistola recommendavel
Tem nosso amigo obsequiado-nos com a seguinte epistola, que se torna muito curiosa pela abundancia de disparates que encerra: “... Família toda. Vós não vos assusteis de eu vos escrever sobre papel preto. Eu logo me explico e satisfaço os vossos desejos. São onze horas e meia e o correio, se já partiu, não tarde a partir. Escrevo-vos sob a impressão tremenda que me causou a voz d’um trovão, cujo rancor estalou ha pouco sobre o céu. Escrevamos porque quero saber se sois vivo ou morto; digo para saber se o raio que está para brilhar, raios faiscos telegraphicos electricos, vos partio e a toda a nossa familia o raio que mais tarde hade cahir é que me faz estar em sobresalto. Não sei se sois vivo ou morto e o pensar nisso é que me tira algumas horas de somno. No 1.º caso seria uma fatalidade para mim. No 2.º seria uma felicidade inesperada. Em todo o caso mano João, morto ou vivo, aceita um beijo d’aquelle que hade sempre chorar-te e assignar-se. Teu mano e amigo, etc.”