Que imbroglio!—Não caiu o ministério;
(que a nova os não embatuque) — reconstruiu seu imperio — o rei de Sião, o duque! — Despediu mais tres criados — que lhe não faziam conta — e aos do novo deputado — dirigiu tremenda afronta. — Como elle quer, póde e manda, — quando vê que lhe desanda — a roda dos seus projectos — faz mil actos abjectos. — De forças auctor chibante, — quiz offerecer d’esta vez — uma farrada gigante — ao bom povo portuguez. — Mestre João do Topete — foi da peça ensaiador; — foi contra-regra o marquez — e o duque foi d’ella auctor. — Subiu o panno, e Loulé — entra em scena e diz: «Meu povo, — já não posso estar em pé; — é mister governo novo. — De vós hoje me despeço, — de meus erros perdão peço!» — Vendo os collegas este acto — de sublime abnegação — sem o menor espantalhafato — foram d’elle imitação; — e descem todos do poder, — mas o duque espertalhão — mal na rua os pôde ver, — de novo a escada subiu — e do cimo disse: «Subiu! O Chrysostomo, anda cá; — Tu ficas ao meu serviço; — ó seu marquez não se vá; — venha tambem p’ra o serviço, — que isto é tudo uma chalaça — a que eu acho immensa graça!» — Venha Mathias d’Alverca — para assistir á funcção; — e o nosso Ayres do Porto — o salvador da Instrucção; — Venha tambem Sabugosa, — brinquem todos quantos são! — Viva a minha creadagem, — viva o Ayres de Gouveia, — eu sou rei e os meus creados — hão de ter limos e ceia!