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Se a chuva continuar que será de nós!!

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Moura · Pedrógão · Vidigueira · Portugal

O inverno tem sido rigoroso e as ribeiras teem transposto os seus limites. No dia 21 do mez findo, pelas 5 horas da tarde, na aldeia do Pedrogão, concelho da Vidigueira, que fica cerca de 300 metros do rio Guadiana, desenvolveu-se uma grande trovoada acompanhada d’uma copiosa chuva, durando esta até ás 11 horas da noite, o que pôz em alarme toda aquella povoação. No dia seguinte correu aquella gente ao sitio denominado as Margens de S. Lourenço, junto ao mesmo rio, e ficaram absortos ao contemplarem os objectos que pelas aguas alli foram arrojados, subindo as aguas n’este sitio a mais altura do que no anno de 1820, que foi a maior cheia que alli consta ter havido. Os objectos levados alli pela corrente foram immensos, podendo-se só ver os seguintes objectos:—56 bois, immensos porcos, ovelhas e cabras, e apanhar 8 bois e 20 porcos. Os bois eram todos brancos e trazião a marca de duas carozolas com cruz, que demonstrava pertencerem a um só proprietario e, segundo consta, ser hespanhol. Muitos barcos de differentes tamanhos, entrando n’este numero a barca de Moura, que estava no sitio do Ameixial a distancia de tres legoas no trafal da Insua, foi avaliada em 500 a 600$000 rs.; está enterrada e emborcada e por isso se julga inutilisada, por não ser possivel poder-se d’alli tirar inteira; todavia a madeira e ferragens é aproveitada. Esta perda torna-se bastante sensivel por ficar paralisado o commercio n’aquelle sitio. Foi tambem apanhado um carro hespanhol, um banco d’aboigão com bastante peso, e outros diversos objectos, como cadeiras, mezas, potes, etc. Finalmente foram alli levados pela mesma cheia muitas arvores de differentes qualidades, muitos animaes selvagens e reptis venenosos.