Ainda mais uma vez!!!
Não desejáramos voltar ao pedido que por vezes temos feito n’este jornal; não quizeramos massacrar—permitta-se-nos a expressão—os intelligentes leitores d’este jornal com os repetidos pedidos ás auctoridades competentes, se não vissemos que as mesmas se tornavam mudas e impassiveis á voz da imprensa e a um pedido tão humanitario. Essa desgraçada mulher, que divaga pelas ruas da cidade a toda a hora do dia e da noute, e que por vezes temos instado para que seja recolhida ao hospital de Rilhafolles, ainda se acha n’esta cidade!! N’uma cidade como Beja, que desenvolve nas suas limitadas proporções o espirito do seculo, é vergonhoso que se dê a repetição d’um pedido que desde logo devia ser attendido. O jornal não é só lido em Beja, mas nas diversas redacções, em Lisboa e outras terras, por muitas capacidades e auctoridades superiores, e por isso desejáramos não repetir tanto este pedido de humanidade, para que lá fóra se não faça uma idéa do modo por que tem sido satisfeito; mas somos forçados a isso porque nos não falla o coração ver uma creatura humana divagando por uma cidade capital d’um districto, exposta ao rigor das estações, muitas vezes quasi núa, dormindo no logar onde lhe anoitece e onde o somno a surprehende, sem que as auctoridades de algum modo tratem de melhorar a sorte d’aquella infeliz! Voltaremos ao pedido até sermos attendidos.