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Artigo

Já um está desmascarado

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Algarve · Portugal Interpretacção incerta

No dia 4 do corrente, quando a machina que conduz os carros do balastro na linha do Algarve vinha em direcção á estação desta cidade, ao chegar entre o kilometro 2 e 3 avistou o machinista dois rapazes pondo volumosas pedras sobre os carris; immediatamente tirou logo a força á machina, e mandou apertar o break para a mesma parar, o que feito saltou para baixo, e correu atraz dos rapazes até ás hortas de Santa Clara, e não os podendo apanhar por lhe levarem já grande distancia, voltou então ao sitio onde os mesmos rapazes tinham collocado as pedras, e apprehendeu uma mula e uma egoa que se achavam carregadas d’areia, e que sabia serem dos mesmos, e mandou-as conduzir á estação. O chefe da estação mandou dar parte do occorrido á administração do concelho por um empregado, e ao mesmo tempo fez entrega das cavalgaduras. O digno administrador, o sr. dr. Barreto, procedeu logo ao deposito das cavalgaduras, e ás mais minuciosas investigações para saber quem era o dono d’ellas, e teve conhecimento que pertenciam a Antonio Maria Lourenço, almocreve, morador no terreiro dos Valentes, desta cidade, e mandou logo um official de diligencias, acompanhado do regedor de S. João e dois cabos de policia, para capturarem os rapazes que se presumio serem filhos d’aquelle. Pela volta das 10 horas appareceu então na administração o dito Antonio Maria Lourenço e um filho por nome Manoel Antonio, dizendo o primeiro que vinha fazer declaração espontanea do que tinha sabido com respeito ao acontecimento que teve logar na linha ferrea, declaração que o digno administrador acceitou, confessando o declarante que era verdade ter seu filho Cesario collocado as pedras sobre os carris. Por parte da authoridade continua a fazer-se investigações para ver se se descobre mais algum criminoso, pois ha suspeitas bem fundadas de que o rapaz foi induzido por alguém a collocar ali as pedras.