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Artigo

Theatro

Cultura e espectáculoEconomia e comércioIndústriaTeatro
Mértola · Portugal Interpretacção incerta

Dizem-nos de Mertola: «Se nos não alluciamos, havia próxima de dez annos que as portas do theatro desta villa estavam cerradas, isto é, que era vedado ao publico a assistência a representações, d’aquellas para que aquella casa é destinada, porque as não havia. A muitos ouvimos dizer que para esses actos se havia perdido o gosto, que a curiosidade dos que d’elles se occupavam se havia extinguida, e que authorisava isto tudo simples caprichos. Oh! mas não parece ser assim; já houve theatro; temos rasão para discordar d’aquellas supposições. Houve recita na noite de 15 do corrente; por consequência passámos pelas provas, por uma noite de satisfação, de praser e de consolação. Representaram a comedia em 2 actos Os Varanças. Fez o papel de Manoel Bacoco o sr. Lourenço Cezario, o de Andréa Paiva o sr. Guerreiro, o de João o sr. Virialo, o de Ambrosio Tinoco e do provinciano [ilegível] o sr. Nuno, o de Thimoteo Barriga — o homem para tudo — o sr. Affonso, o de Cornelio [ilegível] — cavalheiro d’industria — o sr. Costa, o de barão da Enxurrada, o janota estovado o sr. Dias, que desempenharam perfeitamente, attentas as suas competências; e assim tambem foi o desempenho da 1.ª e 2.ª actriz. O theatro viu-se apinhado de gente desta villa e d’outras localidades, e lodos applaudiam phreneticamente o desempenho dos curiosos; todos, repito, os homens, e as senhoras tambem lá do alto da galeria mostravam o seu voto de solemnisação pelos ares que deixavam ver. Nos intervallos eramos distrahidos pelos sons harmoniosos dos instrumentos que lá tocavam. Occasiões d’estas são raras, é por isso bom manifestar motivos, e manifestal-os com [ilegível], permitiam-me a expressão. O Mertolino.»