Lisboa 21 de fevereiro (correspondência particcear) Levantou-se uma questão politica na camara dos deputados. Foi o caso. O sr. Santos e Silva na sessão de segunda feira interpellou o governo se era ou não verdadeiro o facto do governo ter ordenado ao general Prim que sahisse de Portugal. Narrou depois como se tinha passado esta questão com o general e o governo e estygmatisou o procedimento do governo a tal respeito. O sr. Aguiar (presidente do conselho) declarou que o governo julga inconveniente a estada de Prim em Portugal desde o momento em que elle publicando uma proclamação ameaçava a tranquilidade do paiz visinho. Que o governo protegendo os emigrados não podia consentir que elles fizessem d’aqui foco de conspiração, por isso entendeu para evitar complicações, convidar o general a sahir do paiz. Que tinha a declarar á camara que o governo obra unicamente por sua livre vontade, e não obedeceu a suggestôes de governo algum. Depois desta declaração fallou o sr. Sant’Anna que no seu discurso se tornou pathetico, e por vezes commoveo. Seguiu-se o sr. Pinto Coelho, que hontem continuou com a palavra, e demonstrou que o movimento levantado por Prim era ibérico, notcu a coincidência das manifestações feitas a um alto personagem no seu trajecto por Hespanha um menoscabo dos direitos da soberana daquelle paiz. Folgou que o governo désse o primeiro passo contra as tendências ibéricas e lamentou que fosse tão tarde. Nutriu a incoherencia dos liberaes, quando saudaram o grito da Polonia e não saudaram os esforços dos patriotas napolitanos, lastimou que censurassem o governo do papa por não expuhar de Roma Francisco II e que censurassem o governo por querer fazer sahir do paiz um homem que pode pôr o nosso paiz em perigo. A questão continuou depois fallando o sr. Pinto de Magalhães que enviou para a mesa uma proposta que declarava que a camara ouvidas as explicações do governo passava á ordem do dia; fallou a favor do governo o sr. Luciano de Castro e contra o sr. dr. Levy; hoje continuou a questão fallando o sr. Sant’Anna, contra, e a favor o sr. Vieira de Castro. Posta a questão á votação foi approvada a proposta do sr. Pinto de Magalhães por 101 votos contra 28, que é a opposição. Durante estes dias as galerias teem estado cheias de povo. Na camara dos pares deve começar hoje a interpellação começada pelo sr. marquez de Niza. O sr. bispo de Vizeu interpellou o sr. ministro da justiça se elle tencionava apresentar uma lei de dotação do clero, porque este não pode continuar a andar esmolan do e sujeito ás eventualidades da bolça dos freguezes. Os tannas andam furiosos por a camara reprovar a proposta do sr. Santos e Silva, tratam agora de fazer escandalo, andam promovendo um meeting para domingo na sala do risco, e dizem que se o governo não consentir virão para o meio da rua fazer chinvvinhas; o governo está prevenido e os discolos e amigos da desordem não encontrarão apoio na parte sensata do paiz que é de paz e socego. Espera-se que o governo na camara dos pares vença a questão, porque o governo cumpriu o seu dever. O vapor Infante D. Luiz saiu para a Madeira, levando 27 passageiros indo entre elles o sr. conde de Unhares e condessa da Ponte. Sahe depois de amanhã o vapor Jaguar para o Algarve. Hontem a actriz Ernestina fez o seu beneficio sendo muito applaudida. O vapor de reboque Vasco da Gama, trouxe do mar da barra o brigue inglez Hera, o brigue tinha perdido parte da mastreação. De tarde o mesmo vapor trouxe para dentro a escuna Gothenburgo—o vapor está prestando bons serviços ao porto de Lisboa. Começaram hontem no collegio artístico commercial os saraus litterarios; fallou o sr. Rebello da Silva. A concorrência era numerosa e escolhida; esperamos pelos outros saraus onde as primeiras intelligencias desta terra irão abrir e patentear os thesouros inexauríveis do seu talento. O sr. Pinheiro Chagas irá falar sobre a critica litteraria, veremos se falia tão bem como escreve. Amanhã falla no sorau litterario o sr. Osorio de Vasconcellos sobre geometria. Recebi o relatorio da mesa da santa casa da misericórdia de Lisboa, espero sobre elle fitar algumas reflexões que demanda este importante documento chamando a attenção do sr. Aguiar, para que conceda á misericordia o direito de ser administrada pela irmandade como é de sua instituição.
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