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Áustria Exterior / internacional

A capital d’Austria acaba de ser theatro de um facto bastante curioso. Certo joven elegante, cheio de dividas, mas favorecido das damas, não estranhou receber um dia um bilhete que dizia assim: «Senhor—A sua elegante figura impressionou-me tanto, tanto, que desejo com empenho conhecel-o pessoalmente. Vá esta noite ao theatro da Opera. O meu camarote é o n.º 78. Mandei reservar o 79 para a pessoa que se apresentar e disser esta palavra “eternamente”. Alli o espero.—Adelaide.» O feliz elegante fez a mais escrupulosa toilette e foi para o theatro. Começou a symphonia da opera, e o numero 78 vazio. Ao fim d’algum tempo abriu-se a porta, e em vez de uma senhora, entrou um homem. Ao vel-o o joven empallideceu subitamente. Era um dos seus credores. —Não se incommode, disse-lhe o sujeito do numero 78. Servi-me d’este meio, que era o unico de poder encontrar-me comsigo. Queira ouvir socegadamente a opera e no fim me fará o favor de acompanhar-me. E assim succedeu; no fim do espectaculo o elegante foi trancado na prisão pelo seu visinho do camarote n.º 78.