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Artigo

I Teatro

Cultura e espectáculoReligiãoTeatro
Beja · Portugal Interpretacção incerta

Assistimos ao beneficio da sr.ª Viuva Lopes. Sua filha não teve as palmas que merecia, porque o publico de Beja intende, e intende bem, que a maior prova de admiração que dar-se pode é antes um silencio religioso, do que palmas e gritos que não servem senão de cortar o fio do pensamento, tirar a illusão e fazer esfriar o enthusiasmo. Quando se não ouve nem bafo no auditorio é que o verdadeiro artista sente cahirem-lhe aos pés as coroas do seu mérito: e desses nos parece que a Luisinha enxeu o seu regaço! A Rosa... desmaiou como a lua diante do sol: tinha chegado a hora de brilhar o astro do dia; sumiu-se, e apenas se avistava, de quando em quando, a face pallida do astro da poesia! É que a Luisa e a Rosa, é o sol e a lua! É que a Luisa é a aurora; e a Rosa é o crepúsculo! O phenomeno é o mesmo na naturesa e o caso está em vêr d’uma ou d’outra banda: todo o sol que se põe, nasce; mas que diversa influencia não exerce em nossas almas! A aurora, cânticos e flores: o crepúsculo, suspiros e saudades! A aurora, esperanças! O crepúsculo... Oh Rosa! tu és mais bella que a Luisa! Gosto mais do orvalho que das flores: mais das lagrimas que dos risos; mais do silencio da noite, que do estrépito do dia; mais da lua, que do sol! Rosa... amo-te! Perdoa, Damiana! eu não sabia que estavas aqui tão perto. Olhaste uma vez para mim, e pareceu-me que tinhas fugido... tinhas?... para me não ver... ou para te não ver!... Deixa, Damiana! ninguem descobrirá o nosso amor. É como a hóstia consagrada: quando se ergue, todos os olhos se abaixam. Eu bem te vi!...