Brejeirice privilegiada
Aqui ha dias deita-se a sr.ª D. Rosa na melhor fé que deixava tudo no seu logar: de manhã abre o estanco e acha a casa toda cheia de sigarros.—Seria a gala, Gestrudinhas!—Talvez, minha sr.ª! Á noite tem todo o cuidado não lhe fique a culpada e deita-se descançadinha: de manhã, o estanco todo juncado de sigarros!—Gestrudes, serás sonâmbula, menina?—Nem sei o que isso é, minha sr.ª—Pois, deixa estar.—Á noite finge a boa da sr.ª D. Rosa que se deita e vem pé ante pé e põe-se á escuta... Era uma rasmalhada, uma remexida, uma xiadeira... mettia medo. Abre de repente... Silencio sepulcral?—É esta!—Accende a luz, põe-na em cima do balcão, finge outra vez que se deita, volta nas pontinhas e mete juizo pelo buraco da fechadura... «Vejam agora os sábios na escritura: Que segredos são estes da natura!» Eram os sigarros todos, os brejeiros, os charutos, o. j. a., de picadilho, arrateis de simonte, tudo a passear como por sua casa, uns por aqui, outros por ali, uns de pé, outros de lado, andando e rebolando-se, pelo chão, pelas prateleiras, pelo balcão, por toda a parte, e até pela parede acima! Que tal é a quantidade de bixinhos que tem dentro! Os professores do lyceu e mais algumas pessoas de sciencia calcularam, pelo baixo, que meia duzia destes maços de sigarros tem a força motriz bastante para o comboio das Vendas Novas. /.