Ultimo dia de maio
O que em seguida se lêê é escripto por uma senhora; Saí, que illuminou o ultimo dia de maio, sempre, desde creança, saí com tristeza ao campo a dize-te adeus. Não me recordo de quando na cidade ou fóra, passei o ultimo dia de maio. É este dia quando a natureza cansada de produzir flores, abandona a vegetação, e as plantas começam de murchar-se. Vendo, na margem do riacho, ainda se vêr, m tulipões, ranunkulos, resguardados pela sombra das arvores, e nutridas, pela humidade, ó uma esperança passageira, porque, pela sexta desumiam tambem, e até o riacho começa a minguar, deixando seccas as margens! Tudo annuncia a proximidade do verão, nú, arido, abrasador.—É o ultimo dia de maio, como o ultimo dia de nossa juventude—A primeira espiga que branqueja entre a verde folhagem, é o primeiro cabello branco a alvejar em nossa cabeça—É o primeiro signal de verão, e o primeiro signal da velhice... Alonga-se a vista pelos campos, e vê-se quanta belleza tem perdido: as minhas risonhas tardes temperadas que passavam com a fogosa estação’ Recorda-se o primeiro canto das primeiras aves que vieram de longes terras a povoar a ribeira—; Murcham-se os primeiros lírios que brotaram a nossos pés... Recordam-se os nossos primeiros amores........ Insensivelmente tomba-se na atmosphera carregando de vapores, como o nosso coração, e já não ha aquelle ar puro, que respiravamos hontem—Os insectos vêm mortificadíssimos rumo ás nossas recordações, quando se aproxima o verão, e quando se aproxima a velhice—A primeira espiga loura, o primeiro cabello branco, são o adeus á primavera, são o adeus á juventude. Vidigueira 1 de junho de 1866. * * *