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Artigo

Madrid, 23

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Madrid · Espanha Exterior / internacional

No dia 22 ás 3 horas da tarde o regimento de infanteria de Arturias, aquartelado na montanha do Príncipe Pio, assim como o regimento de artilheria do quartel de S. Gil, revoltaram-se; foram logo mandadas outras tropas contra elles. O combate travou-se immediatamente, despejando Madrid inteira vivíssimo fogo de fuzileria e de artilheria. Ás 6 horas principiaram os habitantes a levantar barricadas, que foram guarnecidas por alguns centenares de homens do povo armados. Ao meio dia era quasi geral o tiroteio, em todos os pontos de Madrid. As tropas fieis occupam a Porta do Sol e a Piaza del Oriente, a do paço e as principaes ruas, menos a de Atocha que estava occupada por uma forte barricada do lado da praça de Anton Martin, guardada por paizanos armados. Ás quatro horas da tarde, não tendo podido a infanteria apoderar-se d’esta barricada foram buscar peças de artilheria; mas os insurgentes julgando não poderem resistir a forças tão superiores, dispersaram-se; entrou-se então na barricada sem resistência, e ás 5 horas da tarde tudo estava acabado sobre este ponto. Mas os regimentos revoltados tinham deixado os quartéis, tomado posições nas ruas de Madrid desde a Calle Ancha, S. Bernardo até á Calle Hortaleza. Atacados de todos os lados, iam retirando pela Calle Fuencarral, cedendo o terreno palmo a palmo, até saírem de Madrid por Chambery. Esta noite toda a guarnição ficou em armas, e canhões assestados nas bocas das ruas. De manhã já se não ouve nenhum tiro na cidade, as communicações estão estabelecidas; mandaram-se alguns regimentos em perseguição dos insurgentes. Trazem-se alguns prisioneiros. O general O’Donnell, duque de Tetuan, perdeu um cavallo em que montava. Diz-se que o general Narvaez, dirigindo-se ao palacio, de sege, foi ferido no hombro por uma bala.