CORRESPONDÊNCIAS
Ferreira 13 de novembro—Sr. redactor.—Coube-nos tambem a nossa vez de recebermos a visita do ex.mo sr. governador civil, que hontem entrou n’esta villa acompanhado de crescido numero de pessoas, além da camara, administrador do concelho, e respectivos empregados, que o haviam ido esperar a uma legoa de distancia, desejosos de mostrar a s. ex.ª que em occasiões como esta todos sabem occupar o seu logar de cortesia, prestando a devida homenagem ao cavalheiro que, na qualidade de chefe superior do districto, veio conhecer do modo porque andam os negocios públicos, para os poder dar remedio a tudo aquillo, que d’elles carecesse. Não permittio a exiguidade do tempo que s. ex.ª podesse prestar demorada attenção a todos os objectos que d’ella muito necessitavam; mas as notas que mandou tomar sobre muitos nos dão a esperança de que não escaparão á paternal sollicitude de s. ex.ª, e na qual muito confiamos, servindo-nos de garantia as suas promessas, o seu animo conciliador, tão bondoso e affivel com que tanto captivou a todos que se lhe aproximaram e com que faz terminar a pendência que, ha mezes, existia entre a mesa da misericórdia e o seu capellão, sendo este reintegrado; devendo tambem s. ex.ª levar a convicção de que este povo é docil e susceptível d’entrar no bom caminho, quando tenha quem saiba com tino e prudencia dirigil-o na senda do dever e do acatamento que se deve á lei; e é esta a necessidade mais urgente, para é que estas visitas não sejam mais repetidas e que o seu exemplo não seja tambem seguido pela auctoridade superior ecclesiastica, pois que o conhecimento adquirido com a propria inspecção, ouvindo as reclamações dos queixos, dará sempre o primeiro impulso e o mais terminante aos abusos, afugentar o odio, que é uma feia paixão; fazendo-se, ao mesmo tempo, crescer o empenho de que todos aprendam a seguir e praticar o santo preceito que nos manda—Amar a Deus sobre todas as cousas e ao proximo como a nós mesmos. Disse. * * *