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Artigo

DESCALÇA (No álbum do ill.mo sr. Antonio Pereira Ferraz Junior)

Meteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaNevePobres e esmolas

Quem és? que a gente vendo-te suspira E em puro amor desfaz-se? Raia crepuscular do sol, que nasce? De lampada, que expira? Como os teus pés são lindos! Como é doce A curva do teu peito! Oh! se o meu coração fosse o teu leito! E o teu amado eu fosse! Que preciosas pérolas descobre teu meigo húmido labiu! E, virgem! como Deus foi justo e sabio Em te deixar tão pobre! Não tens fofo veludo onde se atole teu lindo corpo, ó bella! Mas quando é bello o céo? bella um estrella, E quando é bello o sol? Limpo de nuvens, nu, derrete a neve E a aguia até desmaia! Tu não tens mais do que uma pobre saia E, essa, curtinha e leve! Ingênua como a flor que nasce e cresce Não para estar occulta Onde o corpo te alteia a saia avulta, Onde te abaixa, desce. Encerram-se em ti mesma teus desejos. De nada, flor! precisas? E que eu nem seja o mármore que pisas... Calçava-te de beijos! J. D.