Costumes chins
É quasi incomprehensivel a extrema facilidade que os chins põem em se matar: basta qualquer insignificancia, uma palavra áspera, para o chimo se enforcar ou ir lançar-se a um poço, as duas maneiras suicidicas mais frequentes. Nos outros paizes, o homem que quer desafogar-se de um inimigo procura matal-o; mas na China é exactamente o contrario, mata-se elle proprio! Esta anomalia tem por si, além do costume, as seguintes causas: Em primeiro logar as leis chins declaram a responsabilidade do suicidio áquelle que deu causa a ella: segue-se d’ahi que quem quizer tomar vingança de um inimigo o melhor meio é matar-se, certo de que ao outro um terrível sorte o espera—caindo nas mãos da justiça que o força a pagar e aniquilla de todo se o não arrasa com a vida fóra! A família do suicida, quasi sempre em casa e ros, apanha grandes indemnisações a que a lei lhe dá direito e assim não é raro ver-se um desgraçado aconselhar o suicidio a sua esposa em consequencia de uma querella com algum rico, só com a idéa da fortuna de seus filhos e bem d’ella! Matando o seu inimigo, de contrario, o assassino expõe os seus parentes e amigos á injuria, desgraçando-os, á mendicidade e privando-os até em ultimo caso das honras mortuarias, causa esta principalmente que para o chino é um ponto de maior ignominia. É ainda digno de observar-se que na China a opinião publica, longe de desaprovar, honra e glorifica o suicidio.