Portimão
Em data de 28 de passado diz-nos o nosso correspondente: «Parece incrivel, mas é uma realidade, ha 6 annos a mais que começaram os trabalhos da estrada d’esta villa a Lagos, e não estão ainda complectos. Daqui a mais algum tempo ha lanços que precisam nova reparação, mesmo porque tem pouca solidez, e mui especialmente as obras d’arte, o que provamos com factos. Está para ahi uma ponte, que abateu toda, sendo substituida por uma de madeira, donde já cahiu um carro, porque não tem condições de ponte. Algum dia quando as marés forem mais vivas, desapparecerá tambem, e ficaremos sem communicação com Lagos. Isto assim não pode continuar, muito embora transitem já algumas diligencias por tão decantada estrada, e que tão pouca segurança offerece aos viandantes. Nas outras provincias gasta-se dinheiro a mãos largas, porque nos orçamentos ha quem vele por ellas, mas esta jaz esquecida, e quasi que votada ao ostracismo por isso que se lhe regalea quanto é possivel o complemento d’uma estrada tão importante. As verbas votadas para esta grande arteria tem sido muito pequenas, e estas pode-se dizer, que são absorvidas pelo pessoal technico, porque apenas se vê aqui um operario, acolia outro. Durante o bom tempo assim tem acontecido agora como vamos a entrar no inverno, e os dias são mais pequenos, é provavel, que então admittam mais trabalhadores. Isto é o que se chama administrar bem, e com proveito as rendas do estado. Esta provincia não é das que deposita nos cofres publicos menor verba. Contribue e de boa vontade, porem é precizo que o governo, em que ella deposita confiança não descure dos seus melhoramentos, como desembaraçando a questão que tem impedido a continuação do caminho de ferro, que tem de ligar este solo com o resto do paiz, dando meios para se ultimar a estrada do littoral, e fazer a ponte sobre este rio, que jaz na mente de s. ex.ª o sr. Curvo, bem como a de Constança, e a do Douro. Assim como pedimos para nós, tambem pedimos para os outros.»