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Em data de 21 diz-nos o nosso correspondente: Suba o panno muito embora o digno redactor do Bejense, por falta de espaço, não tenha publicado a ultima noticia que lhe enviamos. Quem espera desespera, porem mais vale tarde que nunca. Estes meus patrícios, posto que apaixonados de musica, no entanto já vão achando longo de mais este intervallo. Porem nem sempre ha tempo, nem vontade de escrever, e se não fora obrigação nossa solver a divida que se acha contrahida com o sr. director da 3.ª direcção hydraulica, decerto lhe não tomaríamos espaço no seu jornal, que é n’estas alturas preciso para descobrir a mascara dos ambiciosos á governança da republica. Em uma noticia que demos das obras do nosso caes fallámos muito de leve no director e subalterno, que tornando-se mais sentidos que a propria sensitiva foi um d’elles que, segundo o seu modo de faltar, é um pernil em cunhas carregado d’armas e bagagens ao Bejense; defender-se sem ser accusado, atacar quem o não atacou, e sobre tudo cantar a sua apotheose. Eiko pois: saibam todos quanto este publico instrumento lerem que eu M. R. Valladas sou director da 3.ª direcção hydraulica, auctor do importante projecto da ponte de ferro para o rio de Portimão, do projecto do pharol para o Guadiana, do projecto da ponte de ferro para o guindaste do caes [ilegível]; dos dous reconhecimentos á bacia do Sado, ás barras, rios, terrenos marginaes do Algarve, da espinhosa commissão dos arrozars e pântanos, dos estudos do rio Portimão e barra etc., etc. Faltou-lhe por dáquem e d’alem mar em Africa, se o fizesse dava-o em cheio. Mostramos-ia um bocadinho da sua graça, que sem graça censurando as nossas pitaditas de latim, dando-lhe o nome de citações, foi começar a sua palinodia por outra de minimis rebus non curat praetor. Isto é que é saber e por isso cabe-lhe aqui bem bratus venter qui te por taci t et ubera guae euecisti! Não cuidem os leitores, por mandarmos levantar o panno, que d’aqui vae sair cousa que se veja, ou que provoque o riso. Não póde ser, nem é possivel do lodo sair cousa que se veja, ou que provoque o riso. É até um espectáculo triste ver um individuo encharcado até ás orelhas em lodo, por effeito de uns sete annos que esteve sentado n’um banco de pinho pelo muito amor que tinha á terra redonda, em cuja leitura deve ser o seu ferie. Irmos buscar lã e sahirmos tosqueados não é lá das melhores cousas, porem acontece sempre assim aos humarrões, e tanto que ahi está o sr. director V. e seu cyreneo entoando o ponite! me peccavi. Tenham paciência, quem se fulmina a si proprio não tem de que se lamentar. Nós cá os encaixadores do bom figuinho, e fabricantes de esparto, para s. s. se regalar com um ordenado, e bem assim o seu cyreneo, não hmos farofia, e acceitamos o seu engraçado de minimis non curat praetor. Encaixotamos é verdade os figos para sustentarmos os seus estados maiores, e quantas tribunecas ha va tilarem os governos esbanjadores. Pagamos até de boamente todos os impostos de exportação e importação, para sustentarmos por largos annos a sua conesia, e do sr. Menezes, que já em epochas que não vão longe mandou fardar os seus catraeirós para com mais pompa levantar a planta do rio. (Continua.)