Voltar ao arquivo
Artigo

Antiguidade premiada

Economia e comércioSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAgriculturaHospitaisPobres e esmolas
Lisboa · Portugal Correspondência · Hospital

Conta um correspondente da capital a um diário portuguez que ha dias se dera em Lisboa o seguinte caso: «Ha dias apresentou-se no paço para fallar a sua magestade el-rei o snr. D. Fernando um veterano, invalido do hospital de Runa. El-rei, com aquella affabilidade acariciadora e paternal característica de toda a regia familia, recebeu o veterano, perguntando-lhe a que vinha. O soldado, com franqueza, respondeu a el-rei que ia procural-o, porque sabendo quanto S. M. era apreciador de antiguidades, queria mostrar-lhe cousa com que muito havia de folgar. O snr. D. Fernando, com a curiosidade natural do homem, mostrou-se ancioso por ver o objecto raro e antigo de que era portador o veterano. «Este, então, tirou da algibeira uma certidão d’idade. Era a do proprio soldado; verdadeira antiguidade muito bem conservada, e que a pé fizera o seu caminho de Runa para o paço. «El-rei riu muito com a lembrança do bom veterano e mandou dar-lhe, pela sua antiguidade, 10$500 reis, isto é tantos dez tostões quantos annos o soldado tinha, que são 105 1/2. «Accrescenta tambem quem me contou esta noticia, que afóra a quantia acima, o sr. D. Fernando mandara dar uma pensão mensal ao pobre velho.»