A’ Liberte escrevem de Madrid: Era hontem (2) o dia consagrado em Hespanha aos finados. Commissões de todas as provincias foram a Alcolea para alli celebrar um officio funebre pelas victimas da liberdade. Em Madrid levantaram um magnifico catafalco no mesmo logar aonde foram fuzilados uns sessenta sargentos de artilheria em 22 de junho de 1868. A missa que foi dita n’este altar improvisado esteve quasi para ser causa de graves complicações. Como nem o logar nem o altar estavam consagrados, precisava-se de uma auctorisação para alli dizer esta missa. Pediu-se esta ao vigario de Madrid. Este respondeu que não podia concedel-a, que era preciso uma bulla do Papa. Foram a casa do nuncio, que respondeu não ter os poderes necessarios para fazer esta concessão. As turbas julgaram ver má vontade n’estas duas recusas, e o nuncio foi violentamente insultado. Este foi queixar-se ao general Serrano, e o ameaçou mesmo, de pedir os seus passaportes, custou muito a acalmal-o. Conseguiu-se tornear a difficuldade fazendo celebrar a Missa por um dos capellães do regimento, que tem uma bulla especial para celebrar em todos os logares o Santo Officio. Uma multidão immensa foi a esta ceremonia com grande recolhimento. Dois officiaes de infanteria assistiram ao padre. Foram pronunciados diversos. No do general Pierrad, que presidia ao conselho, causou grande impressão a phrase seguinte: «Nós rogamos pelo repouso dos heroes caídos debaixo do fogo do oppressor. Receio bem antes os acontecimentos que se preparam, que não invejamos ainda a tranquillidade de que hoje gosam.»
Artigo
Acidentes e sinistrosExércitoReligiãoCulto e cerimóniasFestas religiosasIncêndios