A noticia dada no Bejense pela vinda do sr. barão do Pomarão foi, por algumas pessoas, tida por exagerada. Sem ser comnosco diremos que não ha rasão. O correspondente nada d’isse de mais, alem das girandolas, que apenas foram alguns foguetes. Mas o sr. Masson merece tudo quanto se diga d’elle em abono. E quem visita o seu estabelecimento e a sua povoação, que bem póde chamar-se-lhe uma villa, não se envergonha de admiral-o e de chamar-lhe um genio historico dos modernos tempos portuguezes. Venham ver, e irão, como todos dizendo: é mais do que lá fóra se diz. Qual era o homem que, n’este seculo, ia edificar uma egreja sumptuosa—em Portugal—que talvez não fizesse só 20 contos de despeza? Bastaria só isto para dizermos tudo, e justificar o correspondente; mas alem d’estes factos tem tantos outros que realmente o tornam um homem admiravel. Não queremos ir aos remotos—ahi acabou o sr. Masson de dar ao hospital de S. José de Lisboa 3:000$000 reis, e a outros estabelecimentos 1:500$000 reis. Aqui na sua passagem, a uma viuva que se lhe dirigiu por carta mandou duas libras. A um preso que lhe mandou pedir uma esmola uma libra; e muitas outras que não podem enumerar-se; e até nos rapazes da rua que o rodeiavam, s. ex.ª mandou dar-lhes, cremos que uns 600 reis para dividirem. Isto não podem classificar-se sómente como acções de um homem rico, é mais bem de um homem generoso; porque os nossos ricos dão 5 reis aos pobres—da sua nação; porque aos estrangeiros não dão nada. L. dos suburbios do Guadiana.
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