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Artigo

Especulações franciscanas

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Espanha Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta

Os frades especulavam com tudo que lhes desse dinheiro. Antigamente em todas as egrejas e conventos da Hespanha, no mez de novembro, não havia mãos a medir. Vendia-se n’ellas mais agua benta do que vinho se vende em qualquer tasca, na vespera de S. Martinho. E sabem porque? porque os Frades tinham feito acreditar ao povo que cada gotta de agua benta que se deitava nas sepulturas apagava uma chama de fogo eterno! Mais; Para terem cera todo o anno querem saber do que elles se lembraram? Persuadiram de que em dia de todos os santos as almas faziam uma procissão, e aquellas a quem a ingratidão de seus parentes tinha recusado um círio, eram obrigadas a comparecer n’aquelle acto cobertas de vergonha e de braços cruzados! Todos, o menos que davam, era uma vela que, depois de arder sobre a sepultura, emquanto durava a missa, era recolhida na sacristia a titulo de esmola. Uma outra cousa faziam ainda os frades e que lhes rendia bastante—era o leilão em beneficio das almas do purgatorio. Dez ou quinze dias antes do leilão iam os frades por todas as casas das cidades e campos, e recebiam todas as ofertas que a piedade credula voluntariamente lhes queria fazer, em trigo, legumes, fructos, gallinhas, patos, pombos, cordeiros, ovelhas, etc. Chegado o dia do leilão, a principal praça publica da cidade ou aldea era cercada de bancos para se sentarem os compradores, e, ao que maior lanço offerecia, se vendiam os artigos. O producto da venda, servia para mandar dizer missas, liquido das despezas que os frades faziam no peditorio por conta das almas.