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Festa do Sacramento

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Beja · Portugal Governo Civil · Igreja · Interpretacção incerta · Islâmico

Nos tres dias seguintes ao de Corpus Christi celebrou-se na igreja cathedral d’esta cidade a festa do Santíssimo Sacramento com a pompa e magnificência que a tem feito celebre e conhecida em todo o paiz desde seculo. A’ irmandade damos os parabéns porque não se poupando a despezas vio bem compensados os seus desejos. A igreja estava primorosamente decorada; a armação era da melhor que temos visto, e na sua collocação havia bem gosto e acerto. A festa foi toda por musica vocal e instrumental; sendo aquella desempenhada pelos primeiros artistas da capital, e esta pela orchestra da sociedade philharmonica de Beja. A execução em geral foi boa; mas notaremos especialmente os solos do sr. Carlos Araújo, artista d’um merecimento superior; o do sr. José Carlos na missa do sr. Freitas Gazul; e os do sr. Bonifácio, não só os de soprano, como o de contralto no segundo psalmo de vesperas de Jordani, em que lhe ouvimos bellissimas notas graves. A orchestra apresentou as melhores symphonias do seu excellente repertorio. Em todas foi perfeitamente; notaremos com tudo a de Marco Spada, em cujo desempenho se houve com tal mestria, que surprehendeu aos mais entendidos ouvintes. Foram oradores os reverendos padres Malta Veiga, Antonio Augusto Teixeira, Ramos Cid, e Meneses Feio. Os tres primeiros satisfizeram completamente pela elevação dos pensamentos e pelo primor da linguagem. A oração do sr. Feio não poude ser apreciada porque sentindo-se incommodado quando entrava no desenvolvimento da proposição que estabeleceu não poude continuar; parece-nos com tudo que com quanto a matéria não fosse nova, se a memoria não nos engana, tambem não desagradaria. O jantar dos presos, distribuído no domingo por estes e grande numero de pobres, foi abundantissimo. Presidiram a este acto de caridade conjunctamente com os reitores e escrivães das irmandades do Sacramento, os srs. governador civil, vigário capitular, visconde da Boa Vista, e delegado do procurador régio. A procissão foi magnifica pela grande concorrência d’irmãos. Levava sete andores primorosamente adornados. Os anjos que precediam os do Senhor Ressuscitado e Nossa Senhora da Conceição, e o pallio estavam vestidos com elegância e bom gosto. É pena que a devoção se pronuncie d’este acto tão solemne e da maior respeitabilidade por uma forma menos própria, degenerando em assuada. É costume velho, diz-se. Bem o sabemos; mas os costumes máus perdem-se, e á surpresa que este causa aos individuos que de fora concorrem á festa, quiséramos nós que procedesse antes de demonstrações de respeito e de gravidade, que devem acompanhar sempre os actos do culto externo. Concluiu a festa por parte da irmandade do Salvador dando posse á de S. João a quem pertence a de 1870. Subiram ao ar nessa occasião sem duvida de foguetes; e em seguida houve fogo de [ilegível] no campo d’[ilegível], por não permittir a chuva do dia anterior que se desse nessa noite.