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Artigo
Justiça e ordem públicaCrimes

Como estão as creadas!—Ha dias dirigiu-se a um escriptorio de agencia uma senhora, pedindo uma criada para todo o serviço. O proprietário do escriptorio ficou de lh’a mandar. Hontem pela manhã apresentou-se effectivamente a dita senhora uma mocetona bem vestida e desembaraçada, dizendo ser creada para todo o serviço. —Pelo que vejo, minha senhora, a casa convem-me e o ordenado tambem, mas tenho que pôr algumas condições. —Diga o que é. A gente pelo fallar é que se entende. —Primeiramente, se não vou fazer as compras quero ganhar mais uma moeda. —Ora essa! —Tambem não engraixarei as botas ao patrão; isso não é para o meu genio. No mais sou para tudo. —Bem, continue. —Tambem não quero lavar a louça; isso é proprio do bicho da cosinha. —Tem rasão. —Nem esfregar a casa; isso é serviço de homens. —Certamente. —Nem fazer as camas; isso é para a moça de recados. —Muito bem. —Ainda que eu sou para todo o serviço, não quero esfregar roupa; isso é para a lavadeira. —Pensa com juizo. —Quero alem disto sair todos os domingos, não ser incommodada quando estiver á mesa, não fazer certos serviços ordinários... —Bem. Já sei o que não quer fazer; vejamos agora o que está disposta a fazer. —Ora essa, minha senhora, a ser sua creada, e do patrão n’algum serviço que não comprometta a minha dignidade. As creadas de servir estão emancipadas. —Pois não me serve. —Olhe com isso quem perde é a senhora, por que não acha creada para todo o serviço melhor do que eu; juro-lho. (Conservador.)