Noticias de Mertola
Dizem-nos d’aquella localidade: Ha dias andavamos desassocegados esperando o engenheiro encarregado da limpeza dos vaus, afinal depois de tanto esperar divisou-se entre as enfurecidas ondas do nosso rio, um escaler, e approximando-se da terra, deparamos com um individuo agitando a luneta para as mimosas muralhas e os bellissimos serros, eis senão quando, salta em terra o conductor Azevedo, acompanhado de seu pai sogro, os quaes só fallavam em vaus, e casealhos, serão estes individuos os engenheiros?! Virá alguma draga igual á que está em Portimão, e fará o mesmo serviço? E será o dito conductor o nomeado para estudar as marés? Celebron-se na igreja matriz d’esta villa, a funcção d’almas. Orou o rev.mo prior d’esta villa, fazendo uma brilhante oração, fazendo commemorar aos seus ouvintes com excellentes exemplos, quaes os deveres do christão n’aquelle acto, e n’aquelle dia. Festejou-se hontem na sua igreja, a Senhora da Conceição, sahindo na tarde a procissão, que muito deixou a desejar pela nudez das alas. Na semana passada deu-se no Pomarão um caso muito desagradavel—Uma filha de José Vicente Wagoneiro, andando a brincar na linha foi esmigalhada pelo trem que ia para a mina de São Domingos. Daria a esta fatalidade logar a falta de cuidado de sua mãe? Assim se presume. Casou em Faro o sr. João Diogo Chrispim, com a sr.ª Carolina que segundo consta a recebeu na cama da morte. Haverá 9 mezes que este sr. soffreu o desgosto de perder sua esposa, agora vê-se nas mesmas circumstancias com a sr.ª Carolina. Segundo nos consta foi casamento de consciencia... O sr. Chrispim tem bom coração. Chegaram no Vapor Guadiana, vindo do Algarve, o sr. Santos, escrivão da esquadrilha do Algarve, Geremias, e um 2.º engenheiro, que seguem para Lisboa. Consta estar preso um dos criminosos do roubo que fizeram no dia 20 do preterito, ao correio vindo de Beja para esta villa. De janeiro em diante a taxa de cada telegramma para o reino, são 200 reis por cada 20 palavras, crescendo 100 reis por cada uma miuda até ás 30. Emquanto a receita diminue, e augmenta o serviço, os empregados o pagarão na 1.ª reforma que houver, emquanto as taxas foram mais subidas, o rendimento era mais, e a accumulação dos telegrammas menor, hoje é o contrario, por isso em 1867 os empregados o soffreram, e hoje estão com um terço de menos, obrigados a servir gratis 15 dias no mez emquanto que nas actuaes reformas os empregados gosam de seus direitos. Ha tambem a lamentar uma injustiça que devia deixar remorsos nos reformadores; tendo alguns telegraphistas jus a entrarem no monte pio official, por serem alguns de nomeação regia e terem os 300$000 reis, estão estes privados de serem socios, por soffrerem cortes nos seus vencimentos em disponibilidade! E mais temos a notar, que se recusam estes empregados a satisfazer as suas quotas em activo serviço! Então para que se promette o parlamento antes de se pôr em pratica as reformas, que não offenderiam os direitos adquiridos do empregado! Não só se colloca o empregado á necessidade, mas tambem é inhibido de deixar seus filhos e esposas amparados. E diz-se com lida franqueza, espere que entre no quadro! Se o empregado em reserva, tem 50 annos d’edade, e está 6 ou 40 annos fóra do quadro, poderá ser socio, e gosar quantos annos? São estes os direitos adquiridos que os empregados telegraphicos teem como recompensa aos seus serviços, e ao serviço que prestam á nação! Temos um ministerio, justiceiro, e humano, e possuímos um director recto e amigo de seus empregados, como é o ex.mo sr. Mousinho, e por isto muito ha a esperar d’estes senhores para a classe até hoje castigada.