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Artigo

Um casamento no Cairo

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Islâmico

Um periódico francez conta assim a ceremonia de um consorcio entre os arabes. O cortejo nupcial organisado segundo os antigos e tradicionaes usos, desfila assim: Dois gladiadores semi-nus. Dois beduínos a cavallo, brandindo, como em assalto simulado, duas grandes catanas á guiza de lanças. Uma grande barca, empavesada á antiga, puxando no ar a sua vela quadrada, por duas filas de remadores. A cavallo, e provido de quanto é necessario a escrever, segue um escrivão grave, notario das bodas nupciaes. Quatro camellos montados por tamborileiros e levando no pescoço enormes cornaínhas. Uma circumcisão. Dois meninos ou que vão sel-o, cavalgam ginetes enjaezados. No nariz levam o tradicional anel. Após elles vão dois quadros de cobre tão gravados os emblemas da circumcisão. Lileiras roxas sustidas por camellos; divisão frondes, flores e folhagens, e emblemas da agricultura. Dois enormes ramos compostos por mil flores artisticamente misturadas e entrelaçadas. Jovens vestidas de encarnado, precedem-n’a, levando na mão vistosos leques que servem para refrescar o ambiente em torno da desposada. Por um ultimo, segue o pallio, e debaixo d’elle a desposada, igualmente vestida de encarnado com muitos collares, e acompanhada de duas amigas. Musicas no principio, no meio e no fim do cortejo. Estandartes e bandeirolas cobertas de gazes de côres variegadas. Tal é a crua descripção da ordem do cortejo nupcial egypcio feita por um francez que foi assistir aos festejos da inauguração do canal de Suez. A imperatriz Eugenia, durante a sua residencia no Cairo, teve occasião de presenciar, da janella do palacio do principe herdeiro, o desfilar pomposo de um d’estes cortejos nupciaes, espectaculo, por certo, muito digno de ser reproduzido n’analyse para os europeus.