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Artigo

Assassinato na Amarelleja

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Barrancos · Moura · Espanha · Portugal Exterior / internacional

Mais uma esposa sem marido, mais cinco filhos sem pae, são seis victimas da fome, e quem sabe? se entregues ao abandono, mais tarde teremos de as contemplar envoltas no vicio? E eis uma familia de proba e honrada tornar-se infecto verme da sociedade! Foi barbaramente assassinado na noite de 23 de março passado, Antonio Carneiro Sorneta. Contava 46 annos; não bebia bebidas espirituosas; não consta que houvesse quem d’elle se queixasse. Amigo de todos nunca faltou aos deveres das suas attribuições, antes bem podia servir de modelo de bom pai—hum esposo e hum amigo. Havia 15 dias trabalhava a soldo, chegando á villa, lhe que resultavam para seis herdeiros—quatro filhas—um filho—e um neto, orphão d’uma filha, uns 70 a 80 mil reis cada um. Desavenças que tinham de Sorneta dever alguma quantia ao sogro, fallecido, levou aquellas feras a perpetrar o assassinato do Sorneta, esperando-o á porta do seu quintal. Os assassinos foram Manoel Martinho filho de Martinho Fialho, fallecido, e Francisco Carneiro, cunhado de Manoel Martinho, e 2.º primo do Sorneta, ambos cunhado d’este infeliz; o Sorneta e o Francisco Carneiro casados com duas irmãs de Manoel Martinho, e todos com filhos. Factos estes que na Amarelleja concelho de Moura se veem com frequencia. E como evital-os! Pedimos á auctoridade superior do districto para dar as devidas providencias. São constantes os descantes pelas ruas, as tavernas permanecem repletas, não obstante estarmos no santo tempo da quaresma. Os assassinos dizem, que n’essa mesma noite ficaram em casa d’um tio na mesma rua do morto. Soube-se que um d’elles—Francisco Carneiro—entrou para Hespanha, por Barrancos, aonde esteve 2 dias á espera do pae e da mãe para o acompanharem; do outro não se sabe, com certeza, com quanto haja quem annuncie que foi para a serra d’Estrella aonde com frequencia ia vender mel.