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EXTERIOR Abdicação da ex

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Espanha Exterior / internacional · Hospital

rainha de Hespanha Acta. Manifesto á nação Vieram pelo correio de hontem os seguintes importantes documentos. São o auto de abdicação de D. Isabel II e os principaes períodos do manifesto que dirige,aos hespanhoes: «Aos hespanhoes dos meus reinos, e a todos os que as presentes virem e ouvirem sabei; Considerando quá aos votos da grande maioria do povo, cujos destinos regi por espaço de trinta e cinco annos, póde corresponder o acto que por esta minha declaração executo na única fôrma que permittem a inconstância dos tempos e o extraordinário das circumstancias, resolvi abdicar livre e espontaneamente, sem especie alguma de coacçào nem de violência, levada unicamente pelo meu amor a Hespanha e A sua ventura e independencia, pela real authoridade que exercia por graça de Deus e pela constitujção da monarchia hespanhola promulgada no anuo de 1845, e em abdicar também de todos os meus direitos meramente políticos, transmittindo-os com os que correspondem á successâo da corda da Hespanha ao meu muito amado filho D. Affonso, príncipe das Asturias.» ci • AOS HESPANHOES.—Pezaroso e trista muitas vezes foi o largo período do meu reisado. Pezaroso e triste mais para mim que para outrem, porque a gloria de certos feitos, o progresso dos adiantamentos >mquanto regi os destinos da nossa cara paIrm, não conseguiram nunca fazer-me esquecer, que, amante da paz e da felicidade publica, vi sempre contrariados por actos indepeudeutes da minha vontade, os meus sentimentos roais caros, mais intimos, mais profundos, as minhas aspirações mais nobres, os meus mais vehementes desejos pela felicidade da amada Hespanha. Menina, milhões de heroes proclamaram o meu nome, porém os estragos da guerra rodearam o meu berço; adolescente, não pensei senão em secundar os esforços que me pareciam bons de quem me ofierecia a vossa ventura; porém a agitada e calorosa luct» dos partidos não deixou tempo para se arreigarem nos costumes o respeito á lei e o amor às prudentes reformas. Na edade em que a razão se fortalece com a própria e a alheia experiencta, as tumultuosas paixões dos homens, que não qniz combater â custa do vosso sangue, para mim mais precioso que a minha própria vida, me trouxeram á terra estrangeira, longe do throno de meus maiores, a esta terra que, amiga, hospitaleira e illustre, não é comtudQ a patiia querida, nem tão pouco a patria de meus filhos. Tal é, em resumo, a HLtoria-politicados trinta e cinco annos que exerci a suprema representação e o poder dos povos que Deus, a lei, o direito e o voto nacional, eunfinrim aos meus cuidados. Ao percorrel-a não acho motivo pa a accusar-ine de haver contribuído com deliberada intenção para os males de que me accusam, nem para as desventuras que não pude conjurar. Rainha constitucional respeitei «incera-mente as leis fundamentas»; hespanhola antes de tudo e mãe carinhosa dos filhos da Hespanha, confundi a todos em um alfeclo puro e egualme te amoroso. Vinte mexes leem decorrido desde que pisei o solo estrangeiro; ifeslrs viole mexe» não lem cessado o meu espirito de recolher com auhelante afan os echos produzidos pelo clamor da minha nunca esquecida Hespanha. Cheia de fé bo porvir, e agradecida aos votos do» que me foram e me são dedicados, esquecida dos aggrnvos dos que me desconhecem ou me injuriam, a nada aspiro para mim; mas quero corresponder aos impulsos do meu coração, certa de que isto regosijarã os leaes hespanhoes, ficando ô sua fidalguia e á nobreza dos seus levantados sentimentos a surte da dyuaslia tradicional e do herdeiro de cem monarcha». E este o acto de que vos fallo, é esta a ultima prova que posso e quero dar-vos do affei to que sempre vos dediquei. Sabei, pais, que em virtude de uma acta soleiniie, lavrada na minha residência, cm Pari», o em presença dos membros da minha real família, dos grandes, dignidades. generaes e Içomens públicos de Hespanha. que na mesma acta vão mencionados, abdiquei da minha real aucloridade e de todos os meus direitos políticos, sem genero algum de violência, e só por minha espontânea e livre vontade, transmittindo todos os direitos que pertencem A corôa de Hespanha, ao meu amado filho D. Affonso, príncipe das Asturias. Como permittem as leis patrias, rcsei vo-me todos o* direitos civis e o estado e dignidade pessoaes que elles me concedem, particularmente a lei de 12 de maio de 1865, e portanto conservo sob minha tutela ao príncipe D. Affonso, emquanto residir fõra da sua potia, e até que proclamado por um governo e por umas côrtes que representem o voto legitimo da nação, eu vol-o entregue como espero e como anheló, que forças sinto para isso, ainda que ao promeltel-o se confranja a alma de mãe. Affonso XII deverá se pois d ora Avante o vosso verdadeiro rei: um rei hespanhol, o rei dos hespanhoes; não o rei de um partido. Amae-o com a mesma sinceridade com que elle vos ama; respeitae e protegei a sua juventude com a inquebrantável fortaleza de vossas fidalgos corações, emquanto eu com rogos fervorosos peço ao Todo Poderoso longas dias de paz e prosperidade para a Hespanha, e que ao mesmo tempo conceda ao meu innocente filho, que abenço-o, sabedoria, prudência, rectidão no governo e maior fortuna no throno que a que teve a sua desventurada mãe, que foi vossa rainha.—ISABEL.