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Artigo

Morreu José Estevão

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Interpretacção incerta

No dia 5 do corrente, pelas 4 horas da tarde, sahia o prestito funebre acompanhando á sua ultima morada os restos mortaes de José Estevão Coelho de Magalhães, primeiro orador portuguez e dedicado mantenedor das ideas de liberdade e progresso. No cortejo que o acompanhou á sua ultima morada não houveram precedencias; todas as classes da sociedade viam-se confundidas. O caixão foi levado sempre á mão até ao largo do Principe Real pelos membros do ministerio e pelo eximio poeta e prosador Antonio Feliciano de Castilho, e d’alli até ao cemiterio dos Prazeres por diversos cidadãos. O prestito seguiu a pé até junto á campa que escondeu para sempre o inspirado orador liberal, e ahi todas as associações, todas as classes, e homens de todas as cores politicas ajoelharam e prestaram o ultimo preito ao Demosthenes da tribuna portugueza. É porque n’essa hora solemne e magestosa as paixões partidarias emmudeccem, desapparecem os resentimentos, calla-se a inveja e só falla a consciencia. Concluidas as ceremonias religiosas e conduzido o féretro ao jazigo dos srs. Pinto Bastos, tomaram a palavra os srs. Mendes Leal, Freitas e Oliveira, Gonçalves e Rebello da Silva, que arrancou merecidas lagrimas a todas as pessoas presentes. De José Estevão Coelho de Magalhães só resta agora a saudade immensa que deixou, e um nome immortal nas paginas da historia parlamentar portugueza.