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França

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Londres · Europa · França · Reino Unido Exterior / internacional

Damos em seguida a circular do ministro dos negócios estrangeiros de França, Julio Favre, aos agentes diplomáticos no estrangeiro. Diz assim : (Continuado do numero antecedente) Quanto ós suas regras de proceder, teem-nas enunciado demasiadas vezes para que seja necessário demonstrar largamente que são a negação de todos os princípios sobre que descança a civilisação : «Pedimos, dizem na sua publicação official de 25 de março de 1869, a legislação directa do povo pelo povo, a abolição do direito de herança individual para os capitaes e utensílios do trabalho, o ingresso do solo na propriedade collectiva.» «A alliança declara-se athea, diz o conselho de Londres, que se constitue em julho de 1869, quer a abolição dos cultos, a substituição da sciencia pela fé, e da justiça humana e da justiça divina, a abolição do casamento..» «Pede primeiro do que tudo a abolição do direito de herança, a fim de que no futuro o goso seja egual á producção de cada qual, e que em conformidade da decisão tomada pelo ultimo congresso de Bruxellas, a terra, os utensílios do trabalho, assim como qualquer outro capital, entrando a ser propriedade collectiva de toda a sociedade, só possam ser utilisados pelos operários, isto é, pelas associações agrícolas e industriaes » Tal é o resumo da doutrina da Internacional, e para aniquilar toda a acção, assim como toda a propriedade individual, para avassalar as noções sob o jugo d’uma especie de monarchismo sanguinário, para fazer uma vasta tribu empobrecida e embotada pelo communismo, e que homens extraviados e perversos agitam o mundo, seduzem os ignorantes e arrastam em poz de si os bem numerosos sectários que julgam achar na resurreição d’essas inépcias economicas, gosos sem trabalhar e a satisfação dos seus mais criminosos desejos. Taes são, de feito, as perspectivas que apresentam aos olhos das gentes simplórias a quem querem enganar : «Operários do universo, diz uma publicação de 29 de janeiro de 1870, organisai-vos se quereis deixar de padecer pelo excesso da fadiga ou de privações de toda a especie. «Na associação internacional dos operários, a ordem, a sciencia, a justiça, substituirão á desordem, a imprevisão e a arbitrariedade.» «Para nós, escreve-se n’outra parte, a bandeira vermelha é o symbolo do amor humano universal; não queiram pois os nossos inimigos transformal-a contra si proprios em bandeira do terror.» Em presença d’estas citações, todo o commentario é inutil. A Europa está em frente d'uma obra de destruição systematica dirigida contra uma das nações que a compõem e contra os proprios princípios sobre que descançam todas as civilisações. Depois de ter visto os coripheus da Internacional no poder, não terá já de perguntar-se o que valem as suas declarações pacificas. A ultima palavra do seu systema não póde ser mais do que o espantoso despotismo de um certo numero de chefes, impondo-se a uma multidão estonteada sob o jugo do communismo, soffrendo todas as servidões, até a mais odiosa, a da consciencia, privada de lar e campo, de repouso e de orar, reduzida a uma immensa officina, conduzida pelo terror e obrigada administrativamente a expulsar do seu coração Deus e a família. Esta é uma situação grave que não permitte aos governos a indifferença e a inércia. Seriam culpados se, depois dos ensinamentos que teem saindo á luz, assistissem impassíveis á ruína de todas as regras que mantem a moralidade e a prosperidade dos povos. Convido-vos pois a estudar com a mais minuciosa attenção todos os factos que se relacionam com o desenvolvimento da Internacional, e a fazer d’este assumpto o texto de sérias conferencias com os representantes officiaes da authoridade. Peço-vos n’este ponto as observações mais circumstanciadas e a vigilância mais exacta. A prudência aconselha não nos decidirmos ligeiramente, e por isso mesmo exige não descuidar nenhum meio de se illustrar. As questões sobre as quaes provoco as vossas investigações implicam problemas difficies e que desde ha muito tempo veem agitando o mundo. A sua solução completa na ordem da justiça supporia a perfeição humana, que é um sonho, mas da qual uma nação póde aproximar se mais ou menos. Continúa)