Partida
Na quarta feira, em companhia do sr. visconde da Boa Vista, partiu para Coimbra o representante d’este circulo o sr. conselheiro Perdigão. Sua ex.ª foi acompanhada até á estação de Beja e da Casa Branca por muitos dos seus amigos.
Na quarta feira, em companhia do sr. visconde da Boa Vista, partiu para Coimbra o representante d’este circulo o sr. conselheiro Perdigão. Sua ex.ª foi acompanhada até á estação de Beja e da Casa Branca por muitos dos seus amigos.
Por toda a parte nos põe tropeços o sr. Távora. Não satisfeito com atrazar-nos a viagem no caminho de ferro e deixar-nos as mercadorias por tempo sem fim no Barreiro, entendeu que deveria fazer o mesmo nas estradas de 1.ª ordem. Assim começou a reparar a linha ferrea do Algarve na parte em que está a estrada de Alcácer mais para lá com os trabalhos, deixando na passagem de nivel enormes montes de balastro e as chulipas, na mesma passagem, de modo que do trem é arriscado passar! Então querem no melhor ?
Já se encontrou um, e é Joaquim Guerreiro, de Baleizão, que no dia 12 do corrente foi apanhado em flagrante por Manoel Amador, que estava deitado debaixo d’uma oliveira para lá de S. Pedro, e se oppuz a que o criminoso partisse mais, por que antes de seguir a primeira olhou para uma outra parte, e julgou que não era visto escolher a empresa. Teria elle pago bem caro se Manoel Amador se não levantasse do local onde estava, e se não se oppuzesse a tão insólito attentado. Agora para exemplo de todos cumpre á autoridade ser severa.
Desde as oito horas da noute até á meia noite, tocou na parada do quartel, a banda do regimento 17 de infanteria.
Na noute de sabbado deram as torres signal de incendio. Manifestou-se elle no bairro de Pé da Cruz em um lagar do sr. Collaço Paes. Felizmente pode a tempo ser dominado. Suspeita-se que o fogo foi posto de proposito.
Antes de hontem á noute ardeu toda a seara ao lavrador do Moinho do Poço. Calcula-se o prejuizo em mais de trinta moios de trigo. O fogo suppõe-se que foi lançado por algum dos da quadrilha de salteadores a quem se começou a dar caça em Aljustrel e para a prisão dos que a constituem e não pouco o lavrador. Ojalá que as autoridades procedam como lhes cumpre neste negocio.
Pela gerencia no anno de 1867 a 1868, foram julgados quites o presidente e vereadores que no anno referido serviram neste concelho.
Está a concurso o officio de tabellião privativo de notas do supprimido julgado de Beringel, comarca de Beja.
Estão a concurso os officios de escrivão e tabellião do juiz ordinario do julgado d’Ourique; e de escrivão do juizo de paz do districto de Santa Maria de Odemira.
No mez findo em 17 de junho ultimo rendeu a companhia de ferro do sueste 6:905$340 reis.
No sabbado ultimo deu um tal Lajeas duas facadas em Jacintho da Cruz, natural de Serpa. O crime foi commettido em Brinsses.
Entenderá o sr. Távora que é economica ficar um individuo com um braço ou perna de menos e mesmo sem a vida ? Perguntamos isto porque apesar dos pedidos d’Folha do Povo, os poços á Fonte Figueira, continuam sem vedação.
O sr. Bernardino Martins da Silveira apresentou ao governo uma proposta para o estabelecimento de um caminho de ferro americano do Faro a Villa Real e d’esta cidade a Mertola, pelo systema, e nas mesmas condições, que foi concedido ao sr. barão da Trovisqueira.
O exm.° bispo de Cabo Verde, e fundador d’este hospicio dr. José Dias Correia de Carvalho, foi agraciado com a commenda da Conceição.
Acha-se concluído o projecto definitivo e orçamento do lanço de estrada real n.° 78 de Ferreira a Sines comprehendido entre a Abobada e S. Thiago do Cacem, na extensão de 12976,92 metros.
Cavalheiro da ordem militar de S. Bento de Aviz, o capitão Manoel Dantas de Faria.
Reformado, na conformidade da lei, o capitão de infanteria em inactividade temporaria, Balthazar Joaquim de Gouveia, por ter sido julgado incapaz de serviço activo, pela junta militar de saude.
João Baptista Salta—nomeado escreventuario do escrivão de fazenda do concelho de Serpa.
Ao sr. dr. Távora juiz ordinario de Aljustrel foram concedidos sessenta dias de licença para estar ausente do respectivo lugar. A licença ao escripturario do escrivão de fazenda da comarca de Cuba foi prorogada por mais trinta dias.
Durante a ausência do sr. bispo de Cabo Verde, tomou conta do governo d’este bispado o sr. dr. Emygdio, professor de sciencias ecclesiasticas e prior de Castro Verde.
Os jornaes de Coimbra dizem que o governador do bispado de Aveiro, o sr. conego Lima, foi transferido para esta diocese.
No dia 6 do corrente, no barranco da Cranzona, foi gravemente ferido Manoel Gonsalves, lavrador, por um individuo chamado Manoel Gaspar. Conta-se o caso da maneira seguinte: Manoel Gaspar estava á espera das lebres, e o sr. Manoel Gonsalves, que, também andava caçando, passou por aquelle barranco; aconteceu porem cair-lhe o chumbo no chão e começou a apanha-lo; quando se estava occupando em apanhar o chumbo, o Manoel Gaspar atirou sobre elle e ferio-o, dizendo depois que lhe parecera um lobo. A autoridade ainda não lavrou o corpo de delicto, e talvez o não lavre, porque o regedor anda occupado nos serviços agrícolas e não toma conhecimento do facto, e o actual juiz eleito é inhabil para tal, pois não sabe escrever.
Recebemos, agradecemos e muito apreciamos, o brinde do sr. Ferreira Lobo—é um livro intitulado As confissões dos ministros de Portugal (1832 a 1871) escripto por sua ex.ª e livro que todos devem ler e meditar. As confissões são um trabalho valiosissimo, e os dados que encerra e as notas que contem, um bom subsidio para os que teem por missão illustrar o publico. Na nossa modesta mesa ha muito que não collocamos outra obra de tanto merecimento.
Recebemos a 7.ª pagina da interessante e espirituosissima producção de Bordalo Pinheiro, intitulada a Berlinda. As caricaturas são alusivas ás conferencias do Casino. Agradecemos a offerta.
O sr. Afonso Gomes foi reconhecido como proprietário legal da descoberta da mina de manganêz da Eucusta do Cerro do Chaparro do Cabreiro, na herdade dos Quartijos, freguezia de Santa Victoria, concelho de Beja.
Foi feita concessão provisoria da mina de manganêz do Esquilhão, na herdade de Seixo, freguezia e concelho de Aljustrel, ao sr. Joaquim Antonio Trindade.
O sr. Manoel Andiose requereu as certidões de direitos de descoberta das minas do maganez e ferro situadas, uma no cerro do Telegraphio, e outra no sitio denominado os Carrasquilhos.
As tropas saxonias fizeram hontem sua entrada triumphal em Dresde. O principe real da Saxonia foi promovido ao posto de marechal. Espera-se que o manifesto do conde de Chambord dê força ao partido republicano. O conde de Chambord chegou a Bruges. O principe e princeza de Galles foram para a Allemanha. No parlamento inglez o conde de Granville disse, em resposta á pergunta de lord Stratford de Redcliffe, que julgava pouco provável que o governo turco tivesse dado licença á esquadra russa para passar o estreito dos Dardanellos.
O «Temps» assegura que amanhã serão pagos por inteiro os primeiros quinhentos milhões de francos. Em seguida os prussianos evacuarão os departamentos de L’Eure, Somme, e Sena inferior.
A folha official declara falsa a carta attribuida a Thiers, extraida de um jornal italiano. Diz que ella é o complemento da noticia falsa publicada pela «Liberté» de alguns milhares de mulheres deportadas depois da insurreição. Depois da insurreição ainda não foi deportada mulher alguma. Á assembléa unicamente pertence decidir da sua sorte. O general Faidherbe foi nomeado grã-cruz da Legião de Honra.
Na assembléa nacional declarou mr. Jules Simon que a actual assembléa era a mais livremente eleita que tem existido em França. Mr. Jules Favre annunciou que a carta que se disse ter sido escripta por mr. Thiers a sua santidade o papa é uma pura contrafacção.
Damos em seguida a circular do ministro dos negócios estrangeiros de França, Julio Favre, aos agentes diplomáticos no estrangeiro. Diz assim : (Continuado do numero antecedente) Quanto ós suas regras de proceder, teem-nas enunciado demasiadas vezes para que seja necessário demonstrar largamente que são a negação de todos os princípios sobre que descança a civilisação : «Pedimos, dizem na sua publicação official de 25 de março de 1869, a legislação directa do povo pelo povo, a abolição do direito de herança individual para os capitaes e utensílios do trabalho, o ingresso do solo na propriedade collectiva.» «A alliança declara-se athea, diz o conselho de Londres, que se constitue em julho de 1869, quer a abolição dos cultos, a substituição da sciencia pela fé, e da justiça humana e da justiça divina, a abolição do casamento..» «Pede primeiro do que tudo a abolição do direito de herança, a fim de que no futuro o goso seja egual á producção de cada qual, e que em conformidade da decisão tomada pelo ultimo congresso de Bruxellas, a terra, os utensílios do trabalho, assim como qualquer outro capital, entrando a ser propriedade collectiva de toda a sociedade, só possam ser utilisados pelos operários, isto é, pelas associações agrícolas e industriaes » Tal é o resumo da doutrina da Internacional, e para aniquilar toda a acção, assim como toda a propriedade individual, para avassalar as noções sob o jugo d’uma especie de monarchismo sanguinário, para fazer uma vasta tribu empobrecida e embotada pelo communismo, e que homens extraviados e perversos agitam o mundo, seduzem os ignorantes e arrastam em poz de si os bem numerosos sectários que julgam achar na resurreição d’essas inépcias economicas, gosos sem trabalhar e a satisfação dos seus mais criminosos desejos. Taes são, de feito, as perspectivas que apresentam aos olhos das gentes simplórias a quem querem enganar : «Operários do universo, diz uma publicação de 29 de janeiro de 1870, organisai-vos se quereis deixar de padecer pelo excesso da fadiga ou de privações de toda a especie. «Na associação internacional dos operários, a ordem, a sciencia, a justiça, substituirão á desordem, a imprevisão e a arbitrariedade.» «Para nós, escreve-se n’outra parte, a bandeira vermelha é o symbolo do amor humano universal; não queiram pois os nossos inimigos transformal-a contra si proprios em bandeira do terror.» Em presença d’estas citações, todo o commentario é inutil. A Europa está em frente d'uma obra de destruição systematica dirigida contra uma das nações que a compõem e contra os proprios princípios sobre que descançam todas as civilisações. Depois de ter visto os coripheus da Internacional no poder, não terá já de perguntar-se o que valem as suas declarações pacificas. A ultima palavra do seu systema não póde ser mais do que o espantoso despotismo de um certo numero de chefes, impondo-se a uma multidão estonteada sob o jugo do communismo, soffrendo todas as servidões, até a mais odiosa, a da consciencia, privada de lar e campo, de repouso e de orar, reduzida a uma immensa officina, conduzida pelo terror e obrigada administrativamente a expulsar do seu coração Deus e a família. Esta é uma situação grave que não permitte aos governos a indifferença e a inércia. Seriam culpados se, depois dos ensinamentos que teem saindo á luz, assistissem impassíveis á ruína de todas as regras que mantem a moralidade e a prosperidade dos povos. Convido-vos pois a estudar com a mais minuciosa attenção todos os factos que se relacionam com o desenvolvimento da Internacional, e a fazer d’este assumpto o texto de sérias conferencias com os representantes officiaes da authoridade. Peço-vos n’este ponto as observações mais circumstanciadas e a vigilância mais exacta. A prudência aconselha não nos decidirmos ligeiramente, e por isso mesmo exige não descuidar nenhum meio de se illustrar. As questões sobre as quaes provoco as vossas investigações implicam problemas difficies e que desde ha muito tempo veem agitando o mundo. A sua solução completa na ordem da justiça supporia a perfeição humana, que é um sonho, mas da qual uma nação póde aproximar se mais ou menos. Continúa)
Recebemos hoje na integra o novo manifesto do conde de Chambord. A suá linguagem é categorica, mas talvez geralmente pareça inopportuna. N’el!e estão confirmadas as negociações teletivas á fusão borbonica seguidas de um mal logro completo. Eis como se exprime Henrique V: «Francezes : estou entre vós. Abristes-me as portas de França e não pude renunciar á felicidade de tornar a ver a minha patria. Não quero porem dar com uma demorada residência novos pretextos á agitação dos espíritos, tão perturbados nesta occasião. Saío pois de Chambord, que me offerecestes, e cujo nome tenho usado com orgulho durante 40 annos de desterro. Ao afastar-me desejo dizer-vos que não me separo de vós ; a França sabe que lhe pertenço. Não posso esquecer que o direito monarchico é patrimonio da nação, nem declinar os deveres que elle me impõe para com ella. Estes deveres cumpril-os-hei, attestando a minha palavra de homem honrado e de rei. Auxiliados por Deus, fundaremos juntos e quando assim o quizerdes, sobre as amplas bases da descentralisação administrativa e das garantias locaes, um governo conforme com as necessidades do paiz. Daremos por garantias a estas liberdades publicas, ás quaes tem direito todo o povo christão, o suffragio universal moralmente exercido, e a intervenção das duas camaras, e continuaremos, restituindo-lhe o seu verdadeiro caracter, o movimento nacional do fim do seculo passado. Uma minoria sublevada contra os votos do paiz, fez d’aquelle movimento o ponto de partida de um periodo de desmoralisação pela mentira, e de desorganisação pela violência. Os seus criminosos attentados impuzeram a revolução á nação que só pedia reformas, e empurraram-na para o abysmo, onde haveria perecido, sem o heroico esforço do nosso exercito. As classes laboriosas, esses operários do campo e das cidades, cuja sorte é objecto das minhas mais vivas preoccupações e dos meus mais caros estudos, são as que mais padeceram com esta desordem social. Mas a França, cruelmente desenganada por desastres sem exemplo, comprehenderá que não se torna á verdade mudando de erro ; que não se foge por meio de expedientes a necessidades eternas. Ella me chamará, e eu virei para ella todo inteiro, com a minha abnegação, o meu principio e a minha bandeira. A proposito d’esta bandeira, tem-se fallado de condições que não devo supportar. Francezes ! Estou prompto a tudo para ajudar o meu paiz a levantar-se do meio de ruina e a recuperar o seu posto no mundo ; o único sacrificio que lhe não posso fazer é o da minha honra, rendo homenagem a todas as grandezas, e seja qual fôr a côr da bandeira sob a qual marchavam os nossos soldados, admirei o seu heroísmo e de tudo dei graças a Deus; com a sua bravura enriquececem o thesouro das glorias francezas. Entre vós e eu, não deve subsistir nem má intelligencia, nem segunda intenção. Não : não deixarei, só porque a ignorancia ou a credulidade tenham fallado de privilegios, de absolutismo ou de intolerância, e, que sei eu? de dizimos, de direitos feudaes, phantasmas que a mais audaz má fé tenta resuscitar aos nossos olhos, não deixarei, digo, arrancar das minhas mãos o estandarte de Henrique IV, de Francisco I e de Joanna d’Arc. Com elle se fez a unidade nacional, á sua sombra conquistaram vossos paes, conduzidos pelos meus, essa Alsacia e Lorena, cuja fidelidade será o consolo das nossas desgraças. Com elle foi vencida a barbarie na terra de África, testemunha dos primeiros feitos de armas dos príncipes de minha família ; é elle que vencerá a nova barbarie, que ameaça todo o mundo. Confiai no seu receio ao valor do nosso exercito ; elle sabe que nunca seguio outro caminho senão o da honra. Recebi-o como deposito sagrado do rei ancião, meu avô, que morreu no desterro; sempre foi para mim inseparável da recordação da patria ausente ; fluctrioii sobre o meu berço, e quero que dê sombra á minha sepultura. Nas dobras gloriosas d’este estandarte, sem mancha vos trarei a ordem e a liberdade. Francezes ! Henrique V não póde abandonar a bandeira branca de Henrique V.—Henrique. Chambord, 5 de julho de 1871.»