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Paris · França · Reino Unido Exterior / internacional

O Figaro de Paris consagra em um dos seus ultimos numeros um artigo a demonstrar que a republica existe que Thiers faz bem em sustental-a, porque os partidos monarchicos nada fazem para se entenderem e offerecerem garantias de porvir, de união e de estabilidade á França. Deixando de lado o imperio, cujos partidarios seguem o seu caminho para uma restauração que cada dia se antolha menos impossivel, e fixando-se nas antigos dynastias, o mesmo jornal diz que o povo francez é que ha seis mezes se falla de fusão entre o conde de Chambord e os principes de Orleans, entre os 150 deputados legitimistas da assembleia e os 200 representantes que n’ella defendem a bandeira do conde de Paris, sem que os factos confirmem esta aliança e esta força. Assim a França nada intenta a favor da monarchia constitucional porque um instincto patriotico lhe diz que antes do enfraquecer e destruir um governo, convem entender-se a respeito de qual o que o hade substituir. Tudo o mais seria agitar o paiz inutilmente e debilitar a causa da ordem social e da patria. Thiers não é um obstaculo para o porvir da monarchia; o obstaculo é uma assembleia dividida em tres partidos, dos quaes os dois monarchicos não se entendem ainda. Assim pode continuar-se indefinidamente ouvindo-se palavras mysteriosas chegadas de Chambord ou de Chantilly, emquanto o partido socialista obra e se prepara para o dia de uma catastrophe. Nos momentos em que se exigem do povo francez grandes sacrificios, o exemplo deve partir de cima, e os descendentes dos reis de França deveriam reunir-se e ver o que é que podiam offerecer á salvação da patria. O Figaro desejaria ver Henrique 5.º, rodeado de todos os principes de sua familia, dizer á França que se apresentava offerecendo-lhe estabelecer uma monarchia liberal como a que a Inglaterra disfruta ha dois seculos, e para enlaçar o passado com o presente, enlaçar as flores de liz de Henrique 4.º com as cores de Jena e Austerlitz. Mas se deseja continuar immovel á sombra do pendão de S. Luiz e de Luiz 14.º, e permanecer no rochedo do passado, onde a França não irá buscal-o, que antes que não podendo conformar-se com as ideas modernas, o neto de Carlos 10.º se sacrifica á felicidade dos seus povos abdicando a favor do seu herdeiro legitimo, o conde de Paris, a fim de que representando por si mesmo as ideas de progresso e de liberdade, pela sua abdicação represente o passado e as tradições da França. Tal acto faria mais pela gloria de um principe que um reinado inteiro. Emquanto esta fusão não se realisar, a França commetteria uma loucura entregando-se nos braços de uma nova revolução.