Parto e o primeiro em Lisboa.
Chuva
Tem chovido capiosamente esta semana. As sementeiras estão um tanto estragadas em compensação porem os olivaes tem aproveitado.
Carne de porco
Nas bancas a carne de porco vende-se a 160 réis, cada kilogramma.
Donativo
O sr. commendador Manoel Eleutherio de Castro Ribeiro, presidente da commissão administrativa da casa pia d’esta cidade, deu para as creanças ali asyladas, duas peças de panno de algodão.
Ferimento
Um hespanhol, vendedor de fruta, convencendo-se de que o encarregado dos tabuleiros municipaes, lhe não devia pedir todas as bebedeiras de graça, recompensou-o no sabbado atirando-lhe com um tijolo á cara, de que resultou ferimento. A policia que não quiz deixar de tomar nota do feito, conduziu o hespanhol á cadeia onde se acha para ser premiado condignamente.
Transferencia
Foi transferido de chefe fiscal do districto da alfandega de Serpa para o da de Elvas o sr. João Antonio Pusich.
Producto
O do concerto dado em beneficio do sr. Braga e seus filhos, foi de reis 44:420. Despezas 3:320. Recebeu o beneficiado 41:100.
Varejo
No dia 3 foram a Brinzes diversos empregados do corpo fiscal da alfandega de Serpa e dando varejo nas lojas dos srs. Luiz Evangelista Torres, José Antonio Berio e Joaquim dos Santos Garcia, apprehenderam não poucas fazendas por serem tidas como não nacionaes. Os prejudicados logistas recorreram para o sr. director Netto, apresentando-lhe as facturas por onde desejaram demonstrar que as fazendas apprehendidas eram nacionalisadas, compradas em Lisboa, e por isso alimentam esperanças de as não perderem. Sendo verdade o que allegam, é de crer que lhes seja feita justiça.
Consumo
No mez de outubro findo abateram-se para consumo 27 vaccas que pesaram 4411 kilogrammas e 95 carneiros que pesaram 1:174 e meia kilogrammas.
Imposto
O municipal de 14 reis em cada kilogramma de carne produziu, no mez findo, 80:924 r.s.
Aluguer
O do matadouro, no mez findo, rendeu 2:300 reis.
Mercado
No mez findo rendeu o mercado reis 17$220. Rendeu em egual mez do anno antecedente, reis 15$360. Differença para mais 1$860.
Transferencia
Miguel Duarte da Costa Negrão, chefe fiscal em Aldeia da Ponte, transferido para Serpa.
Zelender
Foi mandado transferir o da secção de Mertola para a do Pomarão.
Concertos
Como noticiámos realizou-se no domingo, no theatro do sr. Sousa Porto o concerto em beneficio do sr. Braga ex-chefe da estação do caminho de ferro d’esta cidade. Os concertistas, os srs. Navarro, Vital e Emydio, receberam muito e justíssimos applausos.
Minas
Foi reconhecido como proprietario da descoberta da mina de manganez na herdade da Figueira, concelho de Castro Verde, Thomaz Innocencio.
—Foi concedida provisoriamente a mina de manganez da Rocha, herdade dos Negreiros, concelho de Castro Verde a Francisco Madeira Leal.
—Item da mina de manganez na courella das Casas Velhas, concelho de Mertola a Francisco Anastacio Polido.
—Item, idem, na Relva da Corte, freguezia de S. Luiz, concelho de Odemira a Francisco Antonio Polido.
—Item idem, na herdade dos Quartijos, freguezia de Santa Victoria, concelho de Beja a Gregorio Bonnet.
Ramalhete do christão
Com o n.º 13, concluiu-se o primeiro trimestre d’este hebdomadario religioso, ornado de gravuras, de que é director litterario o rev. pad. F. da Silva Figueira, prior d’Ajuda. Contém:—O Salvador do Mundo (cópia de um quadro de Fr. Bartholomeu;—Salvador do Mundo—Biographia de Moyses (continuação)—As sete palavras de Christo: quarta palavra (continuação)—Algumas horas em Thomar—D. Lourenço, arcebispo de Braga (traços biographicos)—Porque rasão é o latim a lingua da egreja—Aphorismos—Heroismo christão (lenda oriental!)—A Virgem de Nazareth (Continuação)—A dextra de Deus (poesia)—Noticiario, etc. Preço da assignatura (adiantada): 3 mezes (13 numeros) 500 réis. Não se envia o 1.º trimestre, a quem não mandar adiantadamente a sua importância. Toda a correspondencia deve ser dirigida á administração do Ramalhete do christão, rua d’Ambia, 65, Lisboa.
Jornaes
Recebemos os seguintes que começaram a ver a luz publica e a quem desejamos long e prospera vida: O Seraphim. O Clamor do povo. As Novidades. Estes dois ultimos jornaes publicam-se no pedidos ao Deposito Central: srs. Serzedello & C.ª—Largo do Campo Santo, 16, Lisboa.» Deposito em Pernambuco: Ferreira, Maia & C.ª rua Duque de Caxias.
O communista Boyer
Boyer, aquelle communista a quem havia sido dirigido, em 23 de maio ultimo, o famoso bilhete attribuido a Ferré: «F’asei incendiar as Finanças e vim te ler comnosco», e que não hesitou, diz le Droit, em executar em todo o seu rigor a ordem incendiaria, havia conseguido escapar-se de Versalhes, em uma noite. A principio julgara-se que elle se teria refugindo na capital; e procederam-se a algumas investigações que não deram resultado algum; ulteriores informações fizeram suppor que elle se havia dirigido a Orleans e que alli se achava. Algumas buscas dadas n’aquella cidade foram coroadas de bom exito. Boier foi já conduzido a Paris acompanhado de dois agentes que o capturaram. Acaba de ser de novo enviado para Versalhes onde se tomaram todas as medidas para tornar impossível nova evasão.
O Figaro de Paris consagra em um dos seus ultimos numeros um artigo a demonstrar que a republica existe que Thiers faz bem em sustental-a, porque os partidos monarchicos nada fazem para se entenderem e offerecerem garantias de porvir, de união e de estabilidade á França. Deixando de lado o imperio, cujos partidarios seguem o seu caminho para uma restauração que cada dia se antolha menos impossivel, e fixando-se nas antigos dynastias, o mesmo jornal diz que o povo francez é que ha seis mezes se falla de fusão entre o conde de Chambord e os principes de Orleans, entre os 150 deputados legitimistas da assembleia e os 200 representantes que n’ella defendem a bandeira do conde de Paris, sem que os factos confirmem esta aliança e esta força. Assim a França nada intenta a favor da monarchia constitucional porque um instincto patriotico lhe diz que antes do enfraquecer e destruir um governo, convem entender-se a respeito de qual o que o hade substituir. Tudo o mais seria agitar o paiz inutilmente e debilitar a causa da ordem social e da patria. Thiers não é um obstaculo para o porvir da monarchia; o obstaculo é uma assembleia dividida em tres partidos, dos quaes os dois monarchicos não se entendem ainda. Assim pode continuar-se indefinidamente ouvindo-se palavras mysteriosas chegadas de Chambord ou de Chantilly, emquanto o partido socialista obra e se prepara para o dia de uma catastrophe. Nos momentos em que se exigem do povo francez grandes sacrificios, o exemplo deve partir de cima, e os descendentes dos reis de França deveriam reunir-se e ver o que é que podiam offerecer á salvação da patria. O Figaro desejaria ver Henrique 5.º, rodeado de todos os principes de sua familia, dizer á França que se apresentava offerecendo-lhe estabelecer uma monarchia liberal como a que a Inglaterra disfruta ha dois seculos, e para enlaçar o passado com o presente, enlaçar as flores de liz de Henrique 4.º com as cores de Jena e Austerlitz. Mas se deseja continuar immovel á sombra do pendão de S. Luiz e de Luiz 14.º, e permanecer no rochedo do passado, onde a França não irá buscal-o, que antes que não podendo conformar-se com as ideas modernas, o neto de Carlos 10.º se sacrifica á felicidade dos seus povos abdicando a favor do seu herdeiro legitimo, o conde de Paris, a fim de que representando por si mesmo as ideas de progresso e de liberdade, pela sua abdicação represente o passado e as tradições da França. Tal acto faria mais pela gloria de um principe que um reinado inteiro. Emquanto esta fusão não se realisar, a França commetteria uma loucura entregando-se nos braços de uma nova revolução.