Theatro
E a Rosa, a lua, como lhe chamava um mimoso poeta, bella como um anjo, com aquelle seio redondo, como o da rola, não a viste, minha Beatriz? Como estava linda! que olhar tão poetico! Mas dizem que ella já não ama... Não acredites, o amor anda inherente ao talento. Ah! minha Beatriz, só o nosso amor não acaba, porque é puro, como o orvalho do Céo, porque se embala, entre suspiros, do sopro divino da saudade, nas horas mortas da noite... E que me dizes á Luiza, o sol oriental, rompendo d’além das serras? Que bem que representou! E n’uma d’aquellas scenas mais patheticas como ella te fez chorar! Ai! minha Beatriz, lembraste-te talvez d’esse amor dilacerante, phrenetico, que nos consome! E na verdade, custa tanto amar assim! apenas um olhar fugitivo, um sorriso á flor dos labios... Por Deus, Beatriz, quando fores ao theatro não te escondas atrás da Lua amiga, porque tu, com as tuas faces rosadas, com o teu penteado liso, o adejar de tuas longas pestanas, e esses olhos azues rasgados, languidos, amortecidos, és a estrella matutina, erguendo-se nas campinas d’um céo azulado! És melhor que a Rosa e que a Luiza!... J.