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Correspondencias—Amigo redactor

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Beringel · Lisboa · Porto · Portugal Correspondência · Igreja · Interpretacção incerta

É possivel o que é possivel que a correspondencia de 10 de abril, que vinha inserta no seu acreditado jornal o Bejense, seja do exm.º sr. Francisco Paes de Mattos Feio etc. etc., não posso acreditar mesmo no que veio, s. ex.ª um homem tão honrado, um homem de todo o merito, finalmente um homem tão grande, talvez o primeiro homem deste povo de Beringel, vir ás columnas deste jornal censurar rudemente o reverendo prior desta villa. Oxalá eu tivesse sabido quem era o auctor da correspondencia, por certo não lhe teria respondido, não teria ido á imprensa censurar um dos membros de minha familia, sem ao menos me dar a conhecer. Hoje que estamos em campo descoberto, diga-me sr. Francisco não lhe diz a sua consciencia que o reverendo prior não trabalha senão para o bem dos seus parochianos, o seu afan é todo para bem d’elles, não lhe diz tambem a sua consciencia que eu e o prior trabalhamos para vir um facultativo da escola de Lisboa ou Porto, que são os mais aptos para esta villa, pois s. ex.ª não ouve os lamentos deste povo inteiro, não sabe que os dois partidos medicos não preenchem o fim para que foram creados? Diz mais s. ex.ª não querer que o povo pague, não quer mais derramas porque o povo é pobre, quer tudo pago pela camara; quem se oppoz á venda do rocio (bem sabiamos que era contra lei) que era uma das fontes de receita que eram uns trinta a quarenta mil reis que vinham fazer face ás despezas ordinarias, não sabe quem foi? foram os seus amigos, quizeram as administrações das confrarias para a junta para das sobras se fazer alguma cousa, e logo v. ex.ª por detraz da cortina se oppoz fazendo com que alguem fosse a Ferreira copiar os compromissos e os apresentarem; com as sobras e rendimento do rocio fazia-se o que se está fazendo por meio das derramas; já vê que se o povo as paga é o si e os seus amigos as devem. Diga-me sr. Francisco qual é o rendimento da camara, não são as derramas, iriam fazer maior derrama nas outras freguezias para Beringel só gosar, estabelecendo um privilegio escandaloso; v. ex.ª sabe tudo isto, mas não lhe faz conta... ainda muito a dizer, mas o melhor é ficar em silencio. Tambem v. ex.ª diz que não responde á minha de 24 porque nella mesma está a resposta, digne-se responder sr. Francisco porque tudo tem resposta. Agora só tenho a dizer aos dignissimos signatarios do abaixo assignado, que os lamentos, que hoje estou inteirado de que assignaram (não digo todos) com o ardil de simples amisade, e depois fizeram o que viram; custou-me amargamente ver ali alguns nomes de cavalheiros que me conhecem, e que sabem a pureza dos meus sentimentos, sabem que ha 13 annos n’esta terra nunca fiz, quando occasião se proporcionou, senão procurar o bem estar deste povo. Beringel 6 de maio de 1875. De v. etc. Eduardo Manoel Cardoso.