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se no Echo do Povo: «Na segunda feira proxima passada tivemos occasião de visitar um distincto artista, filho desta cidade, e que ahi vive esquecido de todos, e que poucos ligam apreço, porque, infelizmente, a arte não é brazão nobiliario para uma grande parte da plebe engravatada, nem a mão calejada pelo trabalho digna de ser apertada por muitos nobres que compraram a nobreza a preço de dinheiro! Referimo-nos ao sr. Antonio Joaquim Alves, empregado no lyceu d’esta cidade, que ha 3 annos soffre de uma arterite no joelho esquerdo, impossibilitando-lhe o movimento sem o auxilio de muletas. Por esta occasião tivemos a satisfação de ver um quadro, desenho original d’aquelle prestimoso artista, que nos orgulhou. E’ que filhos tambem de Vianna folgamos de ver que a arte tem aqui distinctos cultores, como é o sr. Alves. O quadro, em uma especie de circulo de relogio, compendia n’um pequeno espaço a historia dos nossos reis, desde o começo da monarchia até á epocha actual. Sob o fac simile de cada um dos monarchas feito pelo sr. Alves, que é leigo aos mais rudimentares principios de desenho, vê-se a epocha do nascimento, tempo do reinado, idade que viveram, data do fallecimento, com quem casaram, onde jazem sepultados, e o cognome que a historia lhes deu. E’ um trabalho engenhoso e de merito, digno de ver-se e mostrar-se lá fóra em qualquer exposição. Afóra este, que é bastante para fazer a reputação de um artista, vimos mais quatro, miscellaneas, revelando todos o genio que presidiu á sua concepção. Desnecessario é dizer-se que o sr. Alves se deu a estes trabalhos que a doença o impossibilitou de entregar-se a outros, e que a perfeição que se nota nos seus desenhos espanta desde que se vê o estado em que está e o constrangimento com que dá os precisos traços. E ahi está esquecido um artista tendo por companhia constante a pobreza, e por testemunhas do seu talento as pobres quatro paredes do seu quarto, tão humilde, como velho.»