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Artigo
Justiça e ordem públicaFurtos e roubos
Odemira · Portugal

[Odemira] A cortiça tem muitos attractivos, muitos adoradores. N’esta villa é ella tão estimada, que até já ha individuos que se armam em corsos, unicamente por... bem lhe querer. Ha dias um meliante, decerto amigo d’aventuras nocturnas, vai a um logar, no rio, onde se achava ancorada uma lancha da sr.ª D. Francisca Varella, e ligeiro, empurra a lancha remos, e vae buscar uma porção de cortiça, á outra margem do rio, a uma pilha, suppomos de que do sr. D. Antonio Catalão, e com toda a pericia, habilidade, intrepidez e afouteza, rema para a margem direita do rio, com a preza segura, e quando, descalço, se encarregava de transportar ás costas, para certo ponto da villa, parte da sua preza, é presentido, e tem a fortuna de escapar mais veloz que um gamo, e de deixar boquiabertos 3 robustos individuos, que vigiavam o gatuno. O meliante, sim deixou os sapatos de penhora no batel, e a opinião publica pronuncia-se abertamente indicando o nome do auctor do furto. Mas será elle processado? Haverá quem reconheça os sapatos? É o que estamos para ver. É necessaria uma severa correcção a estes amigos do alheio, a estes negociantes improvisados, que descaradamente vendem cortiça, sendo duvidoso e mais problematico o meio como a adquirem.