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Aljustrel · Beja · Portugal Governo Civil

[Aljustrel] Aljustrel 14 de agosto. Acabou agora a tourada para a qual o ex.mo sr. dr. Carlos Passanha, a pedido do sr. P. S., teve a bondade de emprestar o seu gado, e é tal a indignação com que de lá vimos que só a imprensa nos pode servir de lenitivo para podermos esquecer a dôr porque estes miseraveis nos fizeram passar assalariando um miseravel a troco de charutos, para soltar offensas contra o nome honrado da ex.ma sr. dr. Carlos Passanha e sr. P. S. só porque um apresentou o gado e outro o pedio! Dá alguem noticia de almas mais abjectas e vis do que estas? Conhece alguem homens que mandem outro proferir palavras que offenderiam o decoro só para saciar paixões? Mas a indignação cresceu ao vermos o regedor e escrivão da administração, o immortal Teixeira, que presidiam á policia, rirem das palavras do desgraçado, que estava ebrio, deixarem de admoestar o tal maltez e de o deixar retirar d’um recinto onde elle nunca deveria ter ido se a policia se não fizesse n’esta terra para outras cousas que não fossem a persegui-lo. O fim conhecemos nós, o que vós quereis é que á provocação acudisse o sr. P. S. para ser preso e passar por mais esse vexame que as vossas intenções tragueiras tinham em vista, remettendo o preso para Beja e fazel-o responder a mais uma policia! Infames, faltou o vosso plano, com a prudencia do sr. P. S. Infames. Nós bem sabemos que por muito duras que sejam as palavras que tenhamos de vos dirigir, vos não molestam a dignidade, porque nunca a tivestes, nem vergonha de qualquer casta, nós bem o sabemos, assim como tambem temos a certeza de que só o ridiculo, isto é dizer-vos o que vós fostes nos vossos principios é que vos custa, porque quereis ser aqui e fora grandes senhores em nobreza e em riqueza, quando não sois mais que uns miseros desgraçados que a politica facciosa e relaxada d’essa homenagem fez para ella deixou de existir, e vos consentiu meterdes as mãos e os pés nos cofres da camara e da misericordia, para hoje passardes alguma cousa melhor do que aquelles que hoje como vós n’outros tempos guardaram porcos e cães, como um homem de 3 côres. E já que fallámos da misericordia pedimos licença ao sr. governador civil para lhe dizermos que a misericordia tambem precisa syndicancia: haja vista a divida de 400$000 rs. que Antonio Severino metteu no inventario por causa da separação de pessoa e bens entre elle e sua esposa, dizendo ser esse estabelecimento devedor a elle, quando é certo ser elle o devedor não sabemos de quanto. Armas leaes, miseraveis, nada de traições nem de represalias e veremos qual dos combatentes tem o povo a seu lado, a quem vós tanto tendes ludibriado.